Archive for the 'Pessoal' Category

What?

Monday, November 17th, 2008

Amanhã devo acordar lá pelas 9 da matina. Devo levantar, pegar os travesseiros que foram ao chão durante à noite, abrir uma fresta da cortina pra ver que cara tem a terça, sair do quarto com um travesseiro debaixo de um braço e um cobertor no outro e ir até à sala. Vou botar um café pra fazer e ligar a TV. Daniel Bork me aguardará com suas piadas repetitivas e aquele monte de propagandas de produtos que não quero ter.
Estou saindo daqui. Levo comigo, sentimentalmente falando, pessoas eternas e deixo, literalmente mesmo, outras nem tanto. Porque a vida é engraçadinha e só foi eu reclamar do meu emprego que outro apareceu. Não que o próximo seja melhor mas já que o sofrimento é atualmente inevitável deixem que eu sofra por 6 horas e não por 8.

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Podem apostar que eu também.

E lá se vai minha viagem em fevereiro. Mas lá virão uns dias de mormaço, preguiça e café fresco.

Pensando

Tuesday, October 28th, 2008

É preciso exercitar sempre. Muitas vezes o que chateia não vira alvo da sua raiva, o alvo é o que está mais fácil, mais à mão. E ultimamente meu emprego tem me chateado muito.
Eu trabalho com e para pessoas mas elas são tão brilhantes quanto medíocres e irritantes.
Eu ando exercitando vários tipos de sentimento ultimamente e esse exercício me mostra a cada dia que não nasci para ambiente de empresa pública, que não sou boa marketeira de mim, não tenho lábia política e não tenho paciência para convencer por meios que não sejam o trabalho. E quem foi que disse que estabilidade é o suficiente pra tornar tudo suportável?
Mas não adianta falar nisso porque sei que é apenas parte do meu problema transitório. O problema sou eu, minhas escolhas e meu mau hábito de não seguir os avisos da minha intuição que dizem “você não precisa fazer isso dessa forma, você não gosta disso, o que você gosta não é aí”.
O que quero dizer mesmo é que adoro culinária. Fico doente quando chega um fim de semana e não invento algo pra fazer. Tenho orgasmos múltiplos lendo os blogs que assino o feed (99% dos blogs do meu reader SÃO SOBRE CULINÁRIA), compro livros e revistas sobre o assunto quase que por compulsão e tenho uma predileção por comidas simples e acolhedoras. Mas não sei se encaro uma de trabalhar com isso. Talvez seja só o medo do desconhecido, não sei.
Só sei que isso me pressiona e me faz olhar para o relógio do meu tempo e me questionar sobre o caminho que acho que devo continuar seguindo. Mas uma coisa é certa e talvez seja o ponto de partida da uma grande mudança: se hoje o que enxergo de maior vantagem no meu trabalho é a licença maternidade generosa é porque tem algo estranho com meu emprego e/ou com o jeito que encaro a minha forma de trabalhar.
Aguardemos e oremos.

É que hoje é seu aniversário

Sunday, August 31st, 2008

se aqui estivesse, vovozita faria 94 anos hoje. E ainda não consigo me conformar com o fato de não poder abraçá-la e tirar sarro do tamanho de suas calcinhas.

Mas, enfim: o bolo de creme de milho, um de seus bolos preferidos (entre tantas outras delícias), foi preparado por mim hoje.

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Bom pra acompanhar o cafezinho e a saudade.

Os filhos crescem

Wednesday, August 20th, 2008

Ontem, vendo fotos antigas, lembrei dos meus ex alunos. Dei aula de informática por cerca de 3 anos e, mesmo com todo o cansaço e a pindura da época, foi uma das fases mais felizes da minha vida.
Tive duas turmas preferidíssimas: uma delas formada por pré adolescentes e outra que mesclava pré adolescente e adolescentes. Eu amava aquelas pestes e, sem modéstia nenhuma, era fortemente amada também e vejo que esse amor se devia ao respeito que eu tinha (e que hoje tenho mais ainda) pela inteligência de uma criança.
Tá a fim de aprender calc não? Belê, vamo navegar na internet por meia hora e depois a gente tenta aprender, pode ser? E ia, e eles aprendiam, e a gente brincava de fazer gráficos que não diziam nada mas os olhinhos brilhavam com cada lógica desvendada. “Profe! agora entendo aqueles desenhos que aparecem na TV em época de eleição”.
Minha cabeça doía, eu estava cansada e eles também. Dá-lhe contar das histórias da escola, de casa, de “como que é a Bahia?”. Duas horas de terapia de grupo com aqueles pentelhos.
Cronograma em dia, a próxima semana você traz negrinho, eu trago sanduíche e fulano o refri para o lanche na sala. “Mas não pode, pessoal” dizia eu. “Ah, profe se te perguntarem lá fora pode dizer que a gente te bateu”. O cronograma tava em dia então não ia ser eu quem iria estragar a confiança e cumplicidade.
Bento Gonçalves tem disso. Tem família que vem na escola de informática saber como está o filho e conhecer “a professora que eles vivem falando em casa”. E me convidavam para visitá-los. E quando não ia poderia apostar que o recado vinha questionando minha ausência.
E acabava o curso e tinha chororô. E na última aula eu enrolava para dispensar a turma e atrasava tudo. E eles não queriam sair da sala onde o meu coração pequenininho queria mas não podia dizer (porque para o chefe só interessava a rematrícula e a mensalidade paga), que para eles eu dava aula até de graça.

Sentimental eu sou

Tuesday, June 3rd, 2008

Existem pessoas que me fazem feliz apenas porque existem.
Muitas vezes não as conheço profundamente, nem as encontro frequentemente, nem compartilhamos segredos. Não conheço suas famílias, nem quanto ganham, nem o que temem.
Muitas vezes só as encontro de passagem, ou uma vez na semana, ou uma vez a cada 6 meses. Nem sempre falamos de coisas inteligentes, nem tenho seus telefones.
Mas elas existem naquele tipo de hora de dar bom dia, ou para fazer o café caprichado, ou pra falar do tempo, ou pra contar uma piada sem graça, lamentar uma perda, ou para cozinhar para mim, ou para comer minha comida, ou para atender bem meu telefonema, ou para vir na minha casa ou para compartilhar a carona, ou para demonstrar confiança, elas fazem de mim uma pessoa mais feliz.
Elas não reclamam se eu sumo de suas casas, de suas vidas. Eu volto e parece que sempre estive ali. Elas não se sentem obrigadas a elogiar qualidades minhas (talvez seja porque não enxergam tantas e / ou acham isso irrelevante. O que mais admiro é que elas também não me obrigam a). Às vezes contam seus segredos, dizem o que farão no fim de semana, não brigam quando digo um não. Não se envergonham em pedir desculpas, não cobram fidelidade mas mesmo assim é impossível que eu não me torne cúmplice de todas elas e saiba pelo menos 2 coisinhas de que elas gostam só para fazer um agrado de vez em quando.
Cada um passa o natal e ano novo com os seus e depois contam como foi (bom ou ruim) mas não estragam tudo dizendo que sentiu muitas saudades. Na realidade acho que elas (e eu) sentimos sim muitas saudades, mas não a ponto disso doer ou matar ou morrer ou cobrar.
Elas existem e sou muito feliz por isso, mesmo que elas não façam nem idéia desse meu sentimento.

Quase lá

Wednesday, April 9th, 2008

Pra quem estava com 130 em 28/01/08

estar com 106 em 09/04/08 é mais do que o paraíso.

É poder ir na Marisa e escolher sutiã pelo MODELO e não porque COUBE.

Duvido que qualquer uma que tenha eliminado aqueles 3 quilos que imagina precisar eliminar esteja tão feliz quanto eu.

Duvidê-ó-dó.

Polyanna Menina

Friday, March 7th, 2008

A terapeuta perguntou-me se sou uma pessoa feliz. Disse que sim. Minto, disse que CLARO QUE SIM, COMO NÃO SER FELIZ SENDO E VIVENDO TUDO O QUE SOU/VIVO HOJE?
E lá se foi uma hora de retrospectiva. Basicamente duas atitudes foram de extrema pertinência para que eu começasse a me considerar uma pessoa feliz: passei a enxergar que sou uma pessoa que tem acesso à oportunidades e deixei de me preocupar com pessoas / coisas que demandavam muita energia para pouco (ou nenhum) retorno.
Sou feliz não porque tenho um trabalho ideal, mas é o trabalho que proporciona acesso ao que quero (viajar? estudar? ter saúde? ter amizades sólidas?). Qualquer aporrinhação se dispersa quando lembro das malucas que trabalham comigo.
Não tem porque ser infeliz pelo fato de que não posso ir para onde quero quando quero ver quem quero, mas porque posso ir quando dá.
O marido não é o perfeito, mas é o que encaixa. Os amigos não são ricos mas proporcionam fartura, a família não é ideal mas é minha. Simples assim.

Gastroplastia, a saga

Saturday, February 2nd, 2008

Pois é, viu. Foi na segunda feira, dia intergalaxial de início da dieta, que fiz o troço. E hoje, apenas 5 dias depois, já acabei de passar aspirador no cafofo e estou aqui sentada tentando registrar como que foi.

Sabe esse Read the rest of this entry que tem aí embaixo? Isso quer dizer que o texto é longo e que se você quiser, tiver tempo, paciência ou nem for com minha cara, mas ser curioso com o que ocorre comigo, pode clicar e ler tudo

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Vovozita

Thursday, January 3rd, 2008

Das coisas boas sou egoísta e fico para mim e para todas as pessoas que participaram do bom do ano. Das coisas ruins, escreverei para você porque de todas as coisas ruins do ano nenhuma chegou nem perto do que foi a sua partida.

Antes de mais nada gostaria de deixar claro que a senhorita poderia ter esperado um pouco mais. Se tivesse nos dados mais uns 3 ou 4 anos chegaria até a conhecer seu (a) bisneto (a). Mas não: cansou-se e foi-se. Também não vou homenageá-la colocando, em caso feminino, seu nome numa filha minha. Acho seu nome feio, apesar de achar a sua cara. Não por ser feio, ok? Mas porque tem nome de velhinha e nome de velhinha não combina com nenê. Velhinha é nome de vovó e etc.

Eu também não me conformo com o fato de você não conhecer a minha casa. Não me conformo com o fato de você nunca ter viajado de avião para visitar-me. Nem me deu a chance de planejar apertar o cinto nas contas e pagar uma passagem, nem que fosse da primeira classe, para você vir me visitar e ficar uns dias aqui em casa. Até brigaria com o Eduardo para deixar você dormir na camona.

Aproveitando o ensejo gostaria de dizer que não me conformo com o fato de que não conversamos muito depois que reconstruímos os nossos laços. Puta merda, porque a gente foi tão otário em só ficar de bem depois que vim cá para baixo? Não poderia ter sido antes com tempo para que eu curtisse sua presença? Se bem que não posso xingá-la por isso, já que graças ao fato de ter emigrado muitas outras coisas vitais para a minha vida aconteceram. Mas não poderíamos ter conseguido um meio termo?

Olha, só para formalizar porque sei que você já tá sabendo: eu te perdôo por tudo de feio (e de MUITO FEIO) que você me disse e espero que meu pedido de perdão pelos mesmos motivos tenham chegado ao seu coração. Eu fui uma adolescente idiota (haha, redundante) e você foi uma avó amarga por um tempo. Eu não tenho culpa pela mãe que eu tenho, nem você tem culpa de tê-la parido assim. Ela é o que é e nós somos o que somos (ou fomos, no seu caso) e o azar é o nosso que temos de conviver e nos amar, apesar de.

Ah, sim. Não me conformo em não saber dos detalhes sórdidos de sua relação com o vovô Francisco. Sei, por outras bocas que não a sua, que foi um lance bem novela das seis: você uma moça bonita e com posses, vovô um tropeiro, paixão, mistério, etc. Danadinha! Tem certeza de que você não guardou nenhuma foto do vovô? Eu adoraria saber como você era mais nova. Aliás: adoraria vê-la com os cabelos soltos por mais tempo (não só quando você lavava e deixava secar antes de fazer as tranças). Adoraria vê-la de calças também.

Como percebes, meu linguajar é primário e está longe de ser polido. E fico imensamente feliz ao lembrar que você não se importava com isso. Depois daquela última briga feia que culminou na nossa reconciliação foi uma delícia perceber que você só nos queria por perto. Mas era um perto não autoritário, foi um perto que entendeu os momentos de distância, foi um perto que a gente aprendeu a aproveitar.

Titia ainda me preocupa, apesar de entender que o problema é dela. Foi muito bom também ter rompido a barreira entre nós e ter dado o primeiro passo. Nisso compreendi que demonstrar é a deficiência dela. Claro que me enche o saco o fato dela ser como é, sempre achando que tem de carregar o mundo nas costas e que se ela parar tudo cai, mas fazer o quê?

Eu teria mais milhões de coisas para falar mas todas elas parariam no mesmo ponto: sinto muito sua falta, muito de tudo e de todos. E de noite sempre lembro daquelas noites em que você, insone, ficava matutando e cochichando consigo. E de quando era sábado e eu, emburrada, subia na cama para limpar seus santinhos e trocar a toalinha do altar com suas nossas senhoras e etc. Eu sempre lembro disso quando quero um confortozinho.

Pretendo voltar lá pela terrinha no meio do ano. Mas confesso que não sei ainda como vai ser. Não sei responder se já estou ou se algum dia estarei preparada para sua ausência física naquela casa tão impregnada de você e suas manias.

Supondo que existam mais vidas, sejamos menos virginianas nas próximas, ok?

Com amor.

P.S.: Caso não tenha percebido, eu roubava dinheiro de sua bolsa de quando em vez.

Carga horária: 35040 horas

Friday, December 21st, 2007

Quem olha de fora vê um cara mais novo morando com uma mulher mais velha. Quem olha de dentro vê, sei lá, vêem que somos paçocos?
Há algo para ser mais do que Paçocos entre si?
Há como catalogar todos os pré requisitos necessários que faz de alguém paçoco de outro?
Talvez seja o único momento em que me permito encher a boca das coisas que têm aqui no coração. E haja boca para o que há no coração.
Mas já fui boa em dizer, hoje sou boa é de sentir. E daí naquela hora que deito na cama e a gente briga porque quero escuro e você - como sempre, contrariando tudo o que quero - quer acesa para ler essas coisas que você lê e eu nem sei do que se trata. E depois disso como a gente se ajeita, como a gente se combina, como nossas chatices são tão chatas e charmosas?
E todos os dias em que eu contava até mil com os treinamentos de gaita fora recompensados na apresentação final. Será que as pessoas ouviram meu coração dizendo “é, é lindo! é afinado! é meu paçoco. É. É meu paçoco e vejam só como ele é lindo, pobres mortais!”.
Pronto. Se eu tivesse dizendo tudo isso agora pessoalmente você diria “eu te amo”. E eu, como sempre, responderia “azar o seu!”.