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Friday, September 19th, 2008Espelho, espelho meu
existe alguém com resultados de exames de sangue mais fantásticos que os meus?
Espelho, espelho meu
existe alguém com resultados de exames de sangue mais fantásticos que os meus?
assim ó: recebi algumas reclamações de pessoas dizendo “VOCÊ ME BLOQUEOU NO MSN”. E daí tenho de explicar que meu msn existe mas eu não uso ele e que bloqueio as pessoas aleatoriamente pra ir migrando para o google talk e também que tenho PREGUIÇA de tirar minhas contas do kopete, etc.
Eu fico on line tão raramente que talvez já nem vale mais à pena ter algum programa de IM instalado na minha máquina. Mas não é demais avisar que das pouquíssimas vezes que eu tiver on line será pelo google talk, viu? E dessas poucas vezes é bem comum ficar ausente e nem ver mensagens.
Portanto, parem de choradeira!
Ontem, vendo fotos antigas, lembrei dos meus ex alunos. Dei aula de informática por cerca de 3 anos e, mesmo com todo o cansaço e a pindura da época, foi uma das fases mais felizes da minha vida.
Tive duas turmas preferidíssimas: uma delas formada por pré adolescentes e outra que mesclava pré adolescente e adolescentes. Eu amava aquelas pestes e, sem modéstia nenhuma, era fortemente amada também e vejo que esse amor se devia ao respeito que eu tinha (e que hoje tenho mais ainda) pela inteligência de uma criança.
Tá a fim de aprender calc não? Belê, vamo navegar na internet por meia hora e depois a gente tenta aprender, pode ser? E ia, e eles aprendiam, e a gente brincava de fazer gráficos que não diziam nada mas os olhinhos brilhavam com cada lógica desvendada. “Profe! agora entendo aqueles desenhos que aparecem na TV em época de eleição”.
Minha cabeça doía, eu estava cansada e eles também. Dá-lhe contar das histórias da escola, de casa, de “como que é a Bahia?”. Duas horas de terapia de grupo com aqueles pentelhos.
Cronograma em dia, a próxima semana você traz negrinho, eu trago sanduíche e fulano o refri para o lanche na sala. “Mas não pode, pessoal” dizia eu. “Ah, profe se te perguntarem lá fora pode dizer que a gente te bateu”. O cronograma tava em dia então não ia ser eu quem iria estragar a confiança e cumplicidade.
Bento Gonçalves tem disso. Tem família que vem na escola de informática saber como está o filho e conhecer “a professora que eles vivem falando em casa”. E me convidavam para visitá-los. E quando não ia poderia apostar que o recado vinha questionando minha ausência.
E acabava o curso e tinha chororô. E na última aula eu enrolava para dispensar a turma e atrasava tudo. E eles não queriam sair da sala onde o meu coração pequenininho queria mas não podia dizer (porque para o chefe só interessava a rematrícula e a mensalidade paga), que para eles eu dava aula até de graça.
Existem pessoas que me fazem feliz apenas porque existem.
Muitas vezes não as conheço profundamente, nem as encontro frequentemente, nem compartilhamos segredos. Não conheço suas famílias, nem quanto ganham, nem o que temem.
Muitas vezes só as encontro de passagem, ou uma vez na semana, ou uma vez a cada 6 meses. Nem sempre falamos de coisas inteligentes, nem tenho seus telefones.
Mas elas existem naquele tipo de hora de dar bom dia, ou para fazer o café caprichado, ou pra falar do tempo, ou pra contar uma piada sem graça, lamentar uma perda, ou para cozinhar para mim, ou para comer minha comida, ou para atender bem meu telefonema, ou para vir na minha casa ou para compartilhar a carona, ou para demonstrar confiança, elas fazem de mim uma pessoa mais feliz.
Elas não reclamam se eu sumo de suas casas, de suas vidas. Eu volto e parece que sempre estive ali. Elas não se sentem obrigadas a elogiar qualidades minhas (talvez seja porque não enxergam tantas e / ou acham isso irrelevante. O que mais admiro é que elas também não me obrigam a). Às vezes contam seus segredos, dizem o que farão no fim de semana, não brigam quando digo um não. Não se envergonham em pedir desculpas, não cobram fidelidade mas mesmo assim é impossível que eu não me torne cúmplice de todas elas e saiba pelo menos 2 coisinhas de que elas gostam só para fazer um agrado de vez em quando.
Cada um passa o natal e ano novo com os seus e depois contam como foi (bom ou ruim) mas não estragam tudo dizendo que sentiu muitas saudades. Na realidade acho que elas (e eu) sentimos sim muitas saudades, mas não a ponto disso doer ou matar ou morrer ou cobrar.
Elas existem e sou muito feliz por isso, mesmo que elas não façam nem idéia desse meu sentimento.
Andei vendo fotos e relatos da casa nova da Zel e chego a espumar de inveja, de vontade de dormir com silêncio e ter todo esse espaço para secar roupas e toda essa terra pra plantar alguma coisa.
Vem chegando o tempo frio e ao menos dá para dormir num semi silêncio, já que consigo fechar a porta do quarto sem morrer cozida.
Mas eu queria ter um canto na cidade, sabe. Para quando quisesse respirar a poluição, o movimento, a promoção, o frete grátis, o cinema, etc.
Mas queria taaaaannnnto ter um pedaço de terra para fugir na sexta ou quando der na telha para um lugar onde pudesse dormir numa cama forrada num lençol velho levado do cafofo da cidade.
Às vezes tenho essas vontades de nadas, de poucos. Nesses momentos em que percebo-me rodeada de várias escolhas inúteis e infelizes sendo que no fundo o que mais queria é ficar num lugar onde não precisasse escolher nada além do básico.
Feliz dia das mulheres para as mulheres de todos os sexos.
A terapeuta perguntou-me se sou uma pessoa feliz. Disse que sim. Minto, disse que CLARO QUE SIM, COMO NÃO SER FELIZ SENDO E VIVENDO TUDO O QUE SOU/VIVO HOJE?
E lá se foi uma hora de retrospectiva. Basicamente duas atitudes foram de extrema pertinência para que eu começasse a me considerar uma pessoa feliz: passei a enxergar que sou uma pessoa que tem acesso à oportunidades e deixei de me preocupar com pessoas / coisas que demandavam muita energia para pouco (ou nenhum) retorno.
Sou feliz não porque tenho um trabalho ideal, mas é o trabalho que proporciona acesso ao que quero (viajar? estudar? ter saúde? ter amizades sólidas?). Qualquer aporrinhação se dispersa quando lembro das malucas que trabalham comigo.
Não tem porque ser infeliz pelo fato de que não posso ir para onde quero quando quero ver quem quero, mas porque posso ir quando dá.
O marido não é o perfeito, mas é o que encaixa. Os amigos não são ricos mas proporcionam fartura, a família não é ideal mas é minha. Simples assim.
Tô amano as aulas de inglês.
É incrível como meu paladar tem rejeitado o café até o momento. E até agora meu corpo não sentiu nenhuma falta dele. Nem uma dorzinha de cabeça.
Minha disposição aumenta diante de coisas refrescantes. Não teria melhor momento para inserir o hábito de começar o dia com frutas e etc. :)