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Tudo começou quando:

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Meus pais se separaram em meados de 1986.

Minha mãe, depois de 13 anos de casamento, resolveu viver o que achava que merecia. E pelo que sei merecia sim porque meu amado pai, por mais amado que seja, não era um cara que sabia cuidar e regar um relacionamento (por motivos talvez válidos, mas que é assunto para outra hora).

Pois bem: eles moravam ao lado da casa da minha avó materna e, mesmo quando casados, eu sempre convivi bastante com minha avó e talvez por isso não vivi aquela familia convencional mamãe-papai-irmãos.

Minha mãe se separou e eu e meu irmão mais novo ficamos com minha avó enquanto meu irmão mais velho mudou-se para a casa nova do nosso pai.

Não lembro onde morou minha mãe nessa época. Os poucos fragmentos de lembrança são de ver as coisas dela em casa, mas não a sua presença.

Minha mãe queria viver o que não tinha vivido: noitadas, namoros, etc. E ganhamos o posto de prioridade número dois em sua vida, depois de todas as necessidades dela, claro.

Minha mãe é uma pessoa simpática e comunicativa e ninguém, olhando de fora e superficialmente, diz que ela colocou os filhos de lado para viver a própria vida. Detalhe: tinhamos, eu e meus irmãos, 15, 09 (eu) e 3 anos.

Eu não quero agora dizer que ela tinha de cuidar da gente por obrigação, o meu objetivo é justificar meu sentimento em relação à ela que citarei mais embaixo. E também dizer que, por mais justificáveis que sejam as escolhas dela, o sentimento de abandono no coração de três crianças existiu e as consequências disso em mim e meus irmãos existem.

Minha mãe sempre usou como desculpa para se desresponsabilizar de nós o fato de que minha avó nos protegia demais e que ela, minha mãe, gostava de fazer a linha “meus filhos têm liberdade”. Eu lembro muito do fato de que minha avó questionava muito minha mãe sobre responsabilidade materna. Minha avó achava muito ruim o fato de minha mãe preferir sair à fazer algo com os filhos. E eu lembro sim da minha mãe dizer que deixava a gente em casa porque minha avó não queria que ela nos levasse em suas noitadas. Eu morava numa cidade pequena e os poucos bares que tinham não eram, digamos, local e divertimento perfeito para uma criança, certo? Ok, não fiquem chocados, mas eu já fui algumas vezes apalpada por vários dos amigos queridos bêbados ou sóbrios da minha mãe nesse tipo de programa. Minha vó cobrava muito a presença de uma mãe à nossa mãe na nossa vida. Nada mais natural, já que vovozita criou sozinha cerca de 7 filhos.

Eu (ainda) não sou mãe. Mas penso que instinto materno quando existe vence qualquer coisa. Nada separa uma mãe que quer realmente cuidar de seus filhos, NADA. Criança não precisa de “liberdade” nos moldes em que minha mãe pregava. Para mim essa liberdade ela interpretada como “não me importo com o que se passa com vocë“.

Prosseguindo: um dia mentiram para mim e meu irmão mais novo nos dizendo que iríamos passar um dia na casa do meu pai. Mentiram para duas crianças e se há uma coisa que não se deve fazer para uma criança é mentir numa situação delicada assim. Na realidade nós íamos morar com nosso pai. Chorei muito, juntamente com meu irmão, porque até então eu sentia falta era da minha mãe e na minha cabeça o meu pai virou o carrasco pois era o responsável por uma separação que eu não queria viver.

Eu queria minha mãe como um cachorro que cai da mudança e pouco me importava se ela quase não ficava em casa, ou se ela passava o sábado à noite no bar com amigos/namorados ou se ela dava Sonin para o meu irmão dormir mais cedo para poder sair logo.

Muita coisa aconteceu depois disso, muito coisa que daria um livro: Meu pai morreu, voltamos para casa da minha avó, minha mãe foi sonhar em São Paulo com o então namorado, vivemos um inferno com minha avó, eu, então como meus 11- 12 anos, me virava sozinha na escola (porque nessa época fui sim uma aluna fodona) ao mesmo tempo que ia para a reunião de pais e mestres da escola do meu irmão mais novo. Põe aí: eu devia ter uns 12 anos.

Algumas das coisas relacionadas à minha mãe que me incomodam ou incomodavam:

  • o fato dela sempre preferir a companhia do marido vagabundo dela (vagabundo literal mesmo porque o cara não trabalha desde que voltaram para BA do sonho paulistano esfarelado, faz mais ou menos 15 anos) e dos amigos. Uma vez, eu já morava aqui em Curitiba, fui para BA e ela deixou de se juntar à nós por alguns dias para poder curtir a casa sem minha avó, com quem ela e o marido moravam. Eu me desloquei de Curitiba para BA depois de muito tempo para ficar só alguns dias e isso aconteceu
  • minha mãe nunca esboçou vontade de vir na minha casa e isso não era aceitável para mim. Ela usa a desculpa de que tem medo de avião. Então, belê. Existe ônibus também, se for o caso, mas não perco mais meu tempo discutindo isso porque acho que se ela quisesse mesmo viria andando até
  • minha mãe tem um sério problema com dinheiro e gosta de usar sua simpatia para conseguir o que quer. Sim, ela é o tipo de pessoa que tem grana para emprestar ao amigo, para comprar cerveja e fazer uma social para ser A gente fina, mas paga tudo com o empréstimo na folha de pagamento. Ao mesmo tempo, claro que me enxerga (que não bebo e não faço churrasco para 50 pessoas mas que consegue juntar grana para comprar passagem aérea e ver a família) como alguém que deve ter grana sobrando
  • Não me lembro MESMO de uma única vez dela ter ligado para mim sóbria para perguntar apenas como eu estava (a vez em que fiz cirurgia não conta, quero dizer ligação simples e despretensiosa mesmo). Não, ela não é (acho) uma alcoolatra, mas tem aquela péssima mania de sair ligando para os filhos quando bebe porque bate a saudade (ou seria a culpa?). Ah, sim: e quando ligava sóbria era para pedir dinheiro. Dinheiro este que eu cedi na primeira e segunda vez e depois passei a negar. Ao menos ela se tocou e não me pede mais
  • minha mãe se gaba de ter três filhos, à sua forma, encaminhados. Porém o detalhe que não enxerga (ou não assume) é que pouco (ou quase nada) desse crédito pertence à ela. Ela criou três filhos sim: o mais velho encara a religião como sua vida, a do meio vocês lerão no parágrafo seguinte e o mais novo vê a do meio como mãe. Só nós três sabemos da solidão e confusão que é você ter uma mãe, que na sua cabeça de criança é quem naturalmente cuida e protege, não estando ao seu lado por outros motivos. E quando se tem 10 anos você não entende mesmo isso.

Juntando esses e tantos outros motivos é que definitivamente preciso assumir uma coisa que há muito tempo sinto: eu não a vejo como mãe. Ela é alguém que amo, mas apenas alguém. Minhas referências maternas são formadas por fragmentos de algumas pessoas importantes na minha vida porque viveram e vivem comigo a penúria do dia a dia, como minha tia, minha avó e alguns amigos.

Estou tocando nesta parte podre de mim porque parece que a vida tem cobrado dela esse afastamento do passado. Ela tem dado sinais de solidão e tem dito coisas do tipo “você é minha filha e eu te amo” como se quisesse convencer a si mesma de que isso faz dela uma mãe.

Isso não me comove, me afasta. Amor não se cobra. Não me sinto obrigada a amá-la como mãe e não me sinto culpada em meu sentimento como filha ter morrido depois de muito minguar. Dizer eu te amo é fácil e bonito, difícil é o resto.

Mãe é quem cria, e na falta da minha mãe biológica, a vida e as pessoas com quem convivo fizeram um bom trabalho comigo. Não porque resultei em alguém espetacular, mas porque elas estavam e estão lá, por livre e espontânea vontade, quando preciso ser só uma filha.

P.S.: Perdoem, por favor, os erros de ortografia, pontuação, etc, etc

Café Mafalda – Curitiba

domingo, 17 de maio de 2009

Fazendo uso do meu vasto poder de formadora de opinião, vamos lá:

A gente queria um lugar fofinho para tomar um café e comer umas coisinhas. Imaginei que um lugar com o nome da minha ídola seria uma boa idéia e lá fomos. Não sei se eles nos acharam feios ou se era a noite em que os garçons disputam para ver quem consegue tratar o cliente com maior indiferença, enfim.

Chegamos e fomos para o piso superior para ficar longe da fumaça de cigarro. Já havia um casal com cardápio na mão na mesa ao lado. Sentamos e ficamos assim por um tempinho. Nem sinal de garçom. Deveria ter achado estranho quando a moça do casal ao lado comentou “será que vai vir alguém?“. O Paçoco foi até o piso inferior para conseguir, ao menos, o cardápio.

Nisso chegou mais uma dupla que se acomodou numa terceira mesa. Finalmente subiu uma atendente que abriu uma janela perto da gente e fingiu que erámos um abajur. O casal que já estava lá quando chegamos disse “moça, pode vir aqui?” ao que ela respondeu quase sem olhar na cara deles “só um momento” e foi tirar o pedido do casal que chegou por último. Depois disso voltou e tirou o pedido do primeiro casal e por último veio à nossa mesa pegar os nossos. Pedimos dois petiscos, dois pratos e duas bebidas e pedimos que os petiscos e as bebidas viessem antes. Depois de um tempinho veio o primeiro petisco. Passados uns minutos veio o segundo e nada das bebidas.

Já mortos de sede, cadê que alguém aparecia para gente perguntar das bebidas? E quando aparecia era correndo e nem perguntava se precisávamos de algo. Depois de comer todos os petiscos, lembrando que as bebidas eram para acompanhá-las, finalmente vieram as bebidas. O rapaz, esse até simpático, perguntou se eu queria açúcar ou adoçante no meu suco. Respondi que queria açúcar. Uns 5 minutos depois e nada. O mesmo garçom virou para gente e perguntou se queríamos algo. Registremos aqui que durante todo o tempo essa foi a única vez que alguém perguntou se precisávamos de algo. Respondi que estava AINDA aguardando o açúcar. Nisso, o Paçoco já havia bebido o café porque senão iria gelar. Parênteses: percebem a sincronia dos acontecimentos, certo?

Veio o açúcar. Correção: veio um açucareiro VAZIO. Dá-lhe chamar outro garçom para pedir o açúcar. Finalmente adoçei meu suco e bebi. Vieram as comidas. Sejamos justos: as comidinhas eram deliciosas. Até cogitamos pedir sobremesa mas, além de estarmos cheios de comida, estávamos cheios da falta de cuidado com o atendimento. Pedimos a conta. E quando vi que a garçonete voltou sem nada resolvi que o melhor era nós mesmos irmos ao caixa ver quanto deu e fugir do lugar o mais rápido possível. Claro que não pagamos os 10%.

Não sou tão chata a ponto de não querer que num lugar cheio (e não estava cheio quando chegamos) demore um pouco para a comida vir à mesa, etc. Mas, pô: o lugar estava vazio quando chegamos, nem pra trazer o cardápio e tirar o pedido,cara? A comida é boa mas pra mim não compensou o stress de ficar torcendo para que o garçom olhe para você e cogite a possibilidade de que, talvez, você precise ser atendido.

O serumano

terça-feira, 12 de maio de 2009

Eu não entendo gente permanentemente insatisfeita. Fui questionada sobre o fato de até gostar de estar no meu trabalho e a pessoa disse que ninguém que quer o bom da vida pode desejar fazer o que eu (e ele faz) por mais de três meses. Amigo: já estou quase a 6 e você já está a anos. Não, não me imagino morrendo fazendo aquilo mas porque não posso gostar um pouco enquanto faço? Eu sei que a empresa distribui mal certas coisas mas eu venho de outra que era pior, por que não comemorar isso?

Não faço hip hip ura para o comodismo, mas apenas me conforta saber que já passei por pior e que se estou viva também posso passar por isso. Eu não vou para o trabalho só pela empresa, odeio ter de encarar cliente que não quer sofrer as consequências do que deixou de pagar, mas vale à pena ir pelos civilizados, pela tia da cantina, pelo café, pelo colega engraçado, pela colega grávida, pela outra colega querida que está me ensinando a fazer crochê, pela negona que vende natura por um preço maravilhoso, pelos benefícios e salários que me permitem fazer outras coisas boas fora dali e principalmente, vale à pena ir pela minha consciência.

Posso não estar onde definitivamente quero – até porque o que quero muda mas não de forma tão rápida e ranzinza quanto para você – mas estou onde posso e onde mereço. E cá entre nós, pelo que tenho ganhado, eu devo estar merecendo muito.

Hora do planeta

sábado, 28 de março de 2009

É ruim? Acho que não. O que abunda não prejudica.

É eficaz? Infelizmente acho que não.

Por que? Nada funcionaria melhor do que uma reeducação em massa antes que as consequências ambientais, físicas e psicológicas fiquem mais intensas.

O que funcionaria? Sensatez, amigo:

É o lixo reduzido e alojado de forma correta

é o consumo inteligente onde até tem espaço para extravagâncias, mas desde que elas sejam exceções não as regras

é o carro dando mais lugar à bicicletas, ônibus e pés

é o aumento de espaço para uma horta ou uma árvore

é uma diminuição na carga pesada de trabalho seja porque você não precisa ter mais grana ou simplesmente pra ter tempo de jantar algo decente

é você ensinar seu filho, seu irmão, sua mãe e principalmente a si mesmo coisas básicas como gentileza e gratidão

é ter a decência de saber que preto, branco, olhos azuis, gay, bi e analfabeto é gente como a gente

é exercitar seu poder de resignação ao mesmo tempo em que torna seu discurso mais firme, justo e flexível

é não ter medo de dedicar o tempo livre ao silêncio sozinho ou acompanhado

é fazer o óbvio e inteligente: apagar a luz e fechar a torneira quando não usados

é saber que tudo é finito, mas preservável. E se você não quer cuidar do planeta pelo seu filho, faça pelo filho de alguém que você ama. Por pior que você seja você deve amar alguém.

É só uma questão de começar. Se é possível em alguns lugares é possível em um monte de lugar ao mesmo tempo.

Não espere o dia em que comodismo seja ter água potável e um pouco de ar puro

Dizer que essa é utopia é permanecer mais tempo ainda sem enfrentar nossa maior barreira: a preguiça.

Ficadica

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Eu tenho evitado usar sacolas plásticas em excesso. Procuro ter em casa apenas as que eu usarei para o lixo e só. Não só para, quem sabe, colaborar para a disseminação de um novo (e bom) hábito, mas porque (egoísta que sou eu) odeio aqueles milhões de sacolinhas inúteis e mofantes em casa. Tento ou levar minha sacola retornável ou as sacolinhas plásticas que tenho em casa. Pois bem: sábado fui ao mercado e quando a atendende ameaçou embalar minhas compras com novas sacolas eu disse “não precisa, eu tenho sacolinhas aqui” a moça respondeu “ai, não tem necessidade de você trazer de casa”. Respondi que preferia usar as minhas do que ter de levar mais uma para casa. Ironicamente na sacolinha de supermercado que ela queria usar estava escrito “reutilize e recicle”. Claro que vou enviar um email para a empresa dando a sugestão para que eles orientem os funcionários de que não é bem esse tipo de incentivo que combina com o que tá escrito na sacola, muito menos para a situação ambiental em que vivemos.

Fome com vontade de

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Preguiça de criar e utilizar conta no Twitter + rompantes rápidos durante o dia = blog atualizado com uma certa frequência.

Não sou atriz, modelo ou dançarina

quinta-feira, 15 de março de 2007

Sou telespectadora passiva do atual BBB – a Malhação da Playboy e adjacências – e isso me irrita profundamente. Profundamente porque parece que algumas pessoas vivem num universo paralelo onde se permite creditar algum tipo de confiança, idolatria ou exemplo nas situações dali. É difícil escrever sobre isso fugindo dos adjetivos óbvios como esperteza, burrice, fugacidade, inutilidade, repulsa, etc.

Vejo por exemplo a Sônia Abraão com aquela simpatia e desenvoltura de morsa lendo não me importa o quê já que o que interessou foi a tarja que aparecia na TV “Calma Alemão, só faltam 5 horas para a Fani ir para casa“. Peraí, como assim? Quando foi que a porcentagem de ficção do BBB mudou de 95 para 100%? Quando foi que a Globo comprou a Rede TV!? E finalmente quando é que poderei entrar no site do BBB e, tal qual Paraíso Tropical, ler os capítulos de amanhã?

Deus é testemunha de que odeio correntes e emails sobre o quanto as empresas de telefonia e emissoras faturam rindo da sua cara (da minha não porque nunca liguei e isso não mudará nos próximos 1500 anos) com as mensagens de textos enviadas junto com a esperança de o seu “sim, quero que essa lontra vá pra casa” seja contabilizado mas entendo os que criaram esse tipo de mensagem não porque acredito que isso provocará uma mobilização em forma de boicotes mas porque essa manipulação da opinião pública (e principalmente privada) indigna qualquer organismo dotado de um pingo de bom senso.

Eu falei indignada? Ok. Não só indignada mas envergonhada pelos que aparecem e pelos que assistem. Me envergonho mais ainda pelos que assistem porque além de serem eles que me presenteiam com o assunto na mesa do lado no almoço, café e fila é também porque não contentes em ter um universo paralelo eles desejam trazer para a realidade expectativas cabíveis apenas lá. Me envergonho pela superficialidade e por aqueles que criam mais facetas para si do que aquelas mal resolvidas que já possuem naturalmente.

Me envergonho também quando vejo a Oprah sendo exemplo sublime de vida não pelo que, reza a lenda, ela descobriu e usou bem de si mas por ela ter uma casa em Santa Mônica maior que a quadra onde moro só para receber amiguinhos. Me enoja esse dislumbre que eu mesma sinto quando vejo que ela pode chegar numa loja junto com o Bono Vox e comprar, pincelando rapidamente os ítens, 10 Ipods e 10 celulares para dar para sua equipe. Claro que não importa se isso sairá do bolso dela (segundo ela, sairá porque uma porcentagem vai para as criancinhas, etc) o que importa é o poder. Qual a porcentagem no mundo que tem esse poder? Eu não consigo dizer “quero 10 Ipods e 10 celulares como esse. Bono, segure meu casaco um minuto” nem olhando no espelho. Em tempo: deixei de assistir a Oprah pelos assuntos repetitivos em pauta e por sempre esbarrar no velho e hipócrita jeito de ser norte americano.

Eu não entendo o motivo da necessidade de ser e/ou ter ídolos superficiais, não entendo porque esse tipo de artista – por assim dizer – dá autógrafo e aparece em mural de fotos em restaurante. Quando vejo uma personalidade de segunda linha, ainda mais se for um dos que me envergonhe solidariamente, solto um sorriso frouxo. E se visse um ídolo de verdade tipo o Darth Vader sairia correndo de vergonha de mim e só.

Vamos supor que ninguém esteja lendo

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

A moça aqui do lado reclama do marido que, citando apenas as coisas menores, fala mal do cabelo dela, diz que ela tá gorda e descuidada, liga para dizer que precisa que ela chegue logo em casa porque ele quer ir jogar bola e não quer ficar cuidando da filha de 11 meses. A conversa parou por aqui porque não sei debater bem sobre essas coisas. Não que eu não tenha o que falar, mas por incapacidade de visualizar uma solução que não seja pegue suas coisas e saia de casa.

Vou dizer isso uma única vez: não há conforto suficiente para compensar uma sessão de depreciação explícita como essa. Não entra na minha cabeça um marido que impede que esposa saia com uma blusa justinha não porque você fica mais sensual e os outros vão te desejar mas porque aquele blusa deixa à mostra suas bordas e deusolivre andar com um colchão amarrado do meu lado. Grosseiramente falando nessas horas chego a acenar para a compreensão do motivo pelo qual algumas mulheres decepam o órgão sexual masculino por vingança.

Talvez já tenha comentado – portanto desculpem minha repetição – mas tenho vergonha de falar sobre relações abertamente porque acho que provoco frustração ao ser indagada por exemplo:

- Seu marido não sai sem você?
- Não. Nem eu sei ele.
- Mas ele não sai com os amigos, tomar uma cerveja, desestressar, etc?
- Não. Lá em casa só perco às vezes para um código mal escrito, uma atualização que não aconteceu e coisas desse gênero.
- Ah, então você usa coleira curta, né?
- Não. Sabia que é possível sentir prazer com a companhia de quem você ama? Você também não acha que ele não seja capaz de pensar sozinho sobre as próprias escolhas?

Eu não sei discutir bem sobre crises conjugais basicamente porque não considero relação um marido que faz o que descrevi no início, assim como não considero relação um conto de fadas onde os personagens são equiparados à cavalheiros vivendo num mundo onde tudo é rosa, perfumado, depilado e com orgasmos múltiplos usando de penetração. Relação boa pra mim é aquela em que é frequente ouvir e dizer eu te amo apesar de, onde as discussões inicialmente são até frequentes mas que vão se refinando com o tempo até que fiquem restritas aos assuntos relevantes. Também não entendo porque as pessoas fogem das divergências (por que chuva fraca em guarda chuva forte?) e/ou têm essa mania desgraçada de achar que relação harmônica é aquela que é baseada num acordo você manda – eu obedeço.

A dúvida à respeito da possibilidade de harmonia é tão grande que chego a ter vergonha que assumir que sou casada, feliz, hetero, monogâmica e de nunca ter ido num motel.

Primeira e última

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Tive pensando: Acre, Roraíma, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm mais direito de eleger o Alckmin do que Amazonas, Pará, Amapá, Maranhão, Tocatins, Bahia, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro têm de eleger o Lula? Teria sido a primeira vez na história da política brasileira que um candidato angariou votos nordestinos com assistencialismo idiota ou o Lula, por azar nosso, foi o primeiro a ter o feedback desejado? Quando será que vamos discutir seriamente sobre federalização dos estados ao invés de perder tempo lembrando apenas dos últimos quatro anos com essa troca de ofensas imbecil e avaliando quem seria o menos pior como se resolvesse alguma coisa?

Mais do mesmo

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Hermés Galvão é um jornalista com espaço no globo.com onde escreve basicamente sobre o que não gosta. É um ranzinza, óbvio, como todos aqueles que escrevem sobre o que não gostam. Mas um ranzinza que escreve com qualidade e me proporciona momento de risos orgásmicos.
A sensação que tenho é a de que ele acorda todos os dias com o pé esquerdo e tem como primeira tarefa diária afiar a própria língua com um esmeril para em seguida abrir a janela ou o jornal à procura do que falar mal. São textos que não servem para minha concordância ou discordância e sim para minha reflexão do quanto nosso comportamento chega a ser ridicularmente hipócrita e mesquinho. Mas, vamos aos fatos.
O lance é que frequentemente ele fala mal de evangélico. De forma exagerada e generalizada como pede todo texto irônico. E eu nunca disse isso mas eu odeio maus evangélicos, maus católicos (o Mel Gibson hein…), maus espíritas, maus pais de santo e maus ateus. Não os odeio do ponto de vista religioso, mas do ponto de vista humano. Os odeio naquele momento em que eles esquecem – como bem diz o ditado – de que o meu espaço termina quando começa o do outro, ou que todos os caminhos levam a Deus, ao diabo ou ao nada se assim quiser. Mas vamos ao motivo de odiar maus evangélicos.
Tenho exemplos de bons evangélicos: irmão, cunhada, amigos, mas maus evangélicos são preconceituosos sim, são tapados sim, se iludem tanto quando qualquer outro idiota que quer que o divino mande graças sim. O que, por exemplo, um mau evangélico da IURD (redundâncias à parte), deve imaginar quando vê que um cara que não tinha nada hoje mora numa casinha modesta como essa?
Basicamente divido os maus evangélicos em dois grupos: os que dão tudo o que têm para a igreja mesmo que passem necessidades porque acham que isso garante terreninho no céu e os que gastam boa parte do que ganham comprando roupas e garantindo um cenário de status para receber os irmãos de igreja e frenquentar o templo bem vestidas (já que pelo menos você precisa parecer bem de vida porque isso quer dizer que você está sendo abençoado). E o que sobra, é claro, é dado para a igreja já que, como disse o Hérmes, tem sempre um bairrozinho pobre precisando de um novo templo com capacidade para 5000 mil torcedores – clientes. Em nome da fé negociável hoje é fácil encontrar templos com mesas brancas e ex pai de santo dando consulta aos fiéis. Como assim, Bial? Isso não era hábito daquela outra religião que a mesma igreja revela em cadeia nacional que é coisa do demônio? Mas, peraí, entendi: é coisa do demônio porque é lá. Aqui é coisa divina, atrai fiéis. Ah, tá. Assim sim.
E chegam a ser cômicas algumas situações como naquele dia em que lendo alguns tópico numa das trocentas comunidades da IURD do orkut alguém pergunta “orkut é coisa do demônio?” e o que se seguiu foi uma montoeira de resposta dizendo sim, o orkut É coisa do diabo. E ai de você, herege, que discuta pois eles têm um plano B usado quando não possuem argumentos (o que é bastante comum): tapar os ouvidos e sair correndo dizendo oh Deus, porque eu eu sou tão perseguido? Isso deve fazer parte da vida de uma pessoa correta e com a vida pautada nos ensinamentos divinos como eu?
Experimente dizer a um mau evangélico que você católico, pai de santo ou espírita. O que você receberá em troca será o desdém, você vira um ponto cego naquele momento. Ou pior: você é agraciado com a compaixão do cara por ver você, uma pessoa tão boa até, nesse caminho que não leva a nada. E eu te desafio a vir na culto das 19:00 horas e conhecer o verdadeiro caminho da luz.
Admito que quanto mais mexemos nessa merda mais percebemos que o que existem são más pessoas por parte dos contratantes e do contratado. E o que fica a sensação de que em vários locais é necessário deixar o cérebro na portaria, já que o primeiro dízimo é parar de raciocinar.