O serumano

Eu não entendo gente permanentemente insatisfeita. Fui questionada sobre o fato de até gostar de estar no meu trabalho e a pessoa disse que ninguém que quer o bom da vida pode desejar fazer o que eu (e ele faz) por mais de três meses. Amigo: já estou quase a 6 e você já está a anos. Não, não me imagino morrendo fazendo aquilo mas porque não posso gostar um pouco enquanto faço? Eu sei que a empresa distribui mal certas coisas mas eu venho de outra que era pior, por que não comemorar isso?

Não faço hip hip ura para o comodismo, mas apenas me conforta saber que já passei por pior e que se estou viva também posso passar por isso. Eu não vou para o trabalho só pela empresa, odeio ter de encarar cliente que não quer sofrer as consequências do que deixou de pagar, mas vale à pena ir pelos civilizados, pela tia da cantina, pelo café, pelo colega engraçado, pela colega grávida, pela outra colega querida que está me ensinando a fazer crochê, pela negona que vende natura por um preço maravilhoso, pelos benefícios e salários que me permitem fazer outras coisas boas fora dali e principalmente, vale à pena ir pela minha consciência.

Posso não estar onde definitivamente quero – até porque o que quero muda mas não de forma tão rápida e ranzinza quanto para você – mas estou onde posso e onde mereço. E cá entre nós, pelo que tenho ganhado, eu devo estar merecendo muito.

2 comentários para “O serumano”

  1. Ricardo disse:

    Esqueceu de dizer que vale a pena também pelos amigos que você encontra no ônibus. :)

  2. Kátia disse:

    opa! pra facilitar não se esqueça de que sempre estarei no caiuá que sai do terminal às 19:59 ou o fazendinha que sai às 19:56 :)

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