Archive for June, 2008

Eu já disse que amo o interior?

Monday, June 16th, 2008

Não consigo explicar para o povo daqui o que é um jenipapo.

Pior ainda quando pedem para que explique o que é tapioca.

Tapioca, para mim, é uma farinha grossa e de formato irregular derivada do amido e preparada de forma artesanal (tapioca industrializada non eziste no meu mundo) usada para fazer bolos, pudins, cuscuz ou apenas torrada no forno com um tico de açúcar e coco (fresco, por favor) ralado.

Fica um cheirinho pela casa que só cheirando.

O que chamam de tapioca eu chamo de beijú. Beijú úmido (hidratado com leite de coco, adoçado e povoado de coco fresco ralado) ou seco (só o amido mesmo levemente umedecido que assa até ficar levemente tortado para ser tomado com cafezin pretin).

Assim como existe o caminho da uva, acho que farei o caminho da mandioca.

A onda do momento é explicar o que é jenipapo, já que vivo espalhando por aí que licor de jenipapo é uma coisa deliciosa.

Não sei, minha gente, não sei mesmo descrever um jenipapo mais do que “uma fruta de carne rígida e perfumada”. Sorry

Sentimental eu sou

Tuesday, June 3rd, 2008

Existem pessoas que me fazem feliz apenas porque existem.
Muitas vezes não as conheço profundamente, nem as encontro frequentemente, nem compartilhamos segredos. Não conheço suas famílias, nem quanto ganham, nem o que temem.
Muitas vezes só as encontro de passagem, ou uma vez na semana, ou uma vez a cada 6 meses. Nem sempre falamos de coisas inteligentes, nem tenho seus telefones.
Mas elas existem naquele tipo de hora de dar bom dia, ou para fazer o café caprichado, ou pra falar do tempo, ou pra contar uma piada sem graça, lamentar uma perda, ou para cozinhar para mim, ou para comer minha comida, ou para atender bem meu telefonema, ou para vir na minha casa ou para compartilhar a carona, ou para demonstrar confiança, elas fazem de mim uma pessoa mais feliz.
Elas não reclamam se eu sumo de suas casas, de suas vidas. Eu volto e parece que sempre estive ali. Elas não se sentem obrigadas a elogiar qualidades minhas (talvez seja porque não enxergam tantas e / ou acham isso irrelevante. O que mais admiro é que elas também não me obrigam a). Às vezes contam seus segredos, dizem o que farão no fim de semana, não brigam quando digo um não. Não se envergonham em pedir desculpas, não cobram fidelidade mas mesmo assim é impossível que eu não me torne cúmplice de todas elas e saiba pelo menos 2 coisinhas de que elas gostam só para fazer um agrado de vez em quando.
Cada um passa o natal e ano novo com os seus e depois contam como foi (bom ou ruim) mas não estragam tudo dizendo que sentiu muitas saudades. Na realidade acho que elas (e eu) sentimos sim muitas saudades, mas não a ponto disso doer ou matar ou morrer ou cobrar.
Elas existem e sou muito feliz por isso, mesmo que elas não façam nem idéia desse meu sentimento.