O que não fazer
Tuesday, May 27th, 2008Esses dias rolou um papo aqui no trabalho e lembrei de duas coisas que aconteceram na minha adolescência e que até hoje não consigo esquecer:
1.
Quando menstruei: o que eu sabia de menstruação vinha de uns encartes que minha tia me deu da revista Capricho. Apenas deu. Não sentou pra discutir e explicar, nada. Mas pelo menos foi uma atitude mais ativa do que a da minha mãe que, apesar de ser tão “descolada” nunca explicou-me com naturalidade o que era menstruação, sexo, etc. No encarte, a linguagem usada para descrever um ato sexual era tão metódica quanto as instruções para abrir uma lata: o homem e a mulher que se conhecem e se amam começam com carícias, o homem estimula a mulher, blábláblá champ champ. Mas o que nunca esqueci até hoje é que quando menstruei a minha amada mãezinha CONTAVA PRA TODO MUNDO QUE EU VIREI MOCINHA. Puta que pariu, cara. Já não bastava todo o processo novo cujo “funcionamento” eu ainda desconhecia? Já não bastava achar que todo mundo via o meu Modess?
2.
Minha primeira paixão platônica foi pelo sobrinho da minha madrasta. Era também um processo que eu ainda não sabia como funciovava (não que hoje saiba). Por isso, ingenuamente, escrevi que o amava no meu caderninho de segredos, aquele local que você acha que todo mundo respeita. O que mamãezinha fez quando leu? CONTOU PRA TODO MUNDO QUE EU TAVA APAIXONADA!
Puta que pariu de novo.
Pais e mães: NUNCA exponha uma experiência do seu filho - independente da idade dele - sem que, seja lá de qual forma for, ele consinta. Mesmo que essa não tenha sido a intenção da minha mãe meu sentimento foi de ridicularização. E MUITO MENOS AINDA não faça isso num período em que a gente é (por direito, inclusive) extremamente inseguro quanto a si.
Participem ativamente das experiências dos seus filhos porque eles precisam de orientação e amparo, mas respeitem sua individualidade.