Irritando Kátia Mara
Wednesday, January 23rd, 2008Eu odeio com todas as forças existentes no universo quem mastiga, especificamente chiclete, com a boca aberta.
Eu odeio com todas as forças existentes no universo quem mastiga, especificamente chiclete, com a boca aberta.
Eu ainda me encanto com o advento (haha!) da internet.
Quis saber sobre Wittgrove? Soube
Escrevi “oniplanix”? Tá lá: omepramix
Qual a história de Lalola? Shazam
O problema começou quando nasci numa pequena cidade de pouco mais de 15 mil habitantes. Tão pequena que tive de nascer numa cidade do lado quase tão pequena mas com um hospital.
Daí que muitos anos e mudanças de moradia depois veio o orkut com uma comunidade sobre o colégio onde estudei até a oitava série. E um dos tópicos era qual o pior docente do colégio?. Óbvio que alguns nomes foram massivamente citados e eis que uma pessoa disse “com certeza é o fulano de tal. Mas o meu amigo cicrano de tal também deixava um pouco a desejar”. Sobre o fulano de tal era público e notório que não ensinava nada, cometia erros de português que até eu nunca cometi e que era mulherengo (apesar de, se não me falha a memória, ter como estado civil casado).
Eis que cicrano de tal resolveu comentar e tomar as dores suas e do fulano com argumentos do tipo “isso é um desespeito. Sou um homem formado e com uma vida feita, aqui vocês falam, mas não tinham coragem de dizer na sala de aula? sabiam que orkut dá processo?”. Enfim: era como se ele tivesse falando para a turminha da escola e que pudesse expulsar da sala quem bem quisesse. Gostaria de copiar a mensagem na integra aqui mas o cicrano de tal (ou seja lá que for) apagou a mensagem. Eu, que primo pela democracia muitas vezes selvagem do livre expressar, fiz um comentário criticando a tentativa de censura da parte dele, que um diploma não dava a ninguém o direito de julgar-se com a vida feita e que se os alunos não expunham suas opiniões em sala de aula é porque eram repreendidos ou não tinham ainda parâmetros para avaliar.
Vejam bem: critiquei a crítica, não o autor já que nunca tive laços de afinidade com o mesmo e enquanto meu professor (felizmente) não lembro da sua atuação. Só sei que ele lecionou Organização Moral e Cívica (o que, depois de ler o comentário dele, fez muito sentido mesmo depois de tanto tempo).
Até aí, tudo bem. O problema foi que o cicrano de tal, que é conhecido da minha família e aparentemente usando do bom senso e maturidade que o diploma o conferiu, foi até a casa da minha mãe reclamar da opinião dos ex alunos e solicitar que eu apagasse a minha mensagem “apesar de ele não ter se sentido ofendido com ela”.
Remocei uns 20 anos. Foi como se pela primeira vez na minha vida um professor visitasse minha família para dizer que tenho “certos problemas”. Minha mãe não conhece internet, muito menos orkut. Minha mãe sofre as consequências de conviver muito com pessoas ignorantes, até porque ela é professora. Então ficou fácil para ele fazer um terrorismo, mesmo que sutil, com ela dizendo que ia ingressar com uma ação para tirar as opiniões do ar, e que o pessoal só usava para baixaria (sim, para ele é baixaria dizer que um professor é ruim), etc.
Minha mãe ficou desesperada e eu também. Mas meu desespero foi tentar explicar para ela em menos de 50 anos que a internet, orkut, discussão e liberdade de expressão são coisas que requerem preparo que o cicrano não parecia ter. Ainda bem que ela confia na filha que tem e se acalmou.
Quanto ao cicrano? Mandei uma mensagem comunicando que não apagarei nada e que aos 30 anos já sou maior de idade portanto os assuntos relacionados à minha opinião devem ser tratados comigo. Só lamento que ele seja um cidadão que vota e, principalmente, leciona.
Deixar o cabelo crescer é fácil.
Mas vai tentar dormir com tanta fartura para enrolar nos dedos, vai.
Das coisas boas sou egoísta e fico para mim e para todas as pessoas que participaram do bom do ano. Das coisas ruins, escreverei para você porque de todas as coisas ruins do ano nenhuma chegou nem perto do que foi a sua partida.
Antes de mais nada gostaria de deixar claro que a senhorita poderia ter esperado um pouco mais. Se tivesse nos dados mais uns 3 ou 4 anos chegaria até a conhecer seu (a) bisneto (a). Mas não: cansou-se e foi-se. Também não vou homenageá-la colocando, em caso feminino, seu nome numa filha minha. Acho seu nome feio, apesar de achar a sua cara. Não por ser feio, ok? Mas porque tem nome de velhinha e nome de velhinha não combina com nenê. Velhinha é nome de vovó e etc.
Eu também não me conformo com o fato de você não conhecer a minha casa. Não me conformo com o fato de você nunca ter viajado de avião para visitar-me. Nem me deu a chance de planejar apertar o cinto nas contas e pagar uma passagem, nem que fosse da primeira classe, para você vir me visitar e ficar uns dias aqui em casa. Até brigaria com o Eduardo para deixar você dormir na camona.
Aproveitando o ensejo gostaria de dizer que não me conformo com o fato de que não conversamos muito depois que reconstruímos os nossos laços. Puta merda, porque a gente foi tão otário em só ficar de bem depois que vim cá para baixo? Não poderia ter sido antes com tempo para que eu curtisse sua presença? Se bem que não posso xingá-la por isso, já que graças ao fato de ter emigrado muitas outras coisas vitais para a minha vida aconteceram. Mas não poderíamos ter conseguido um meio termo?
Olha, só para formalizar porque sei que você já tá sabendo: eu te perdôo por tudo de feio (e de MUITO FEIO) que você me disse e espero que meu pedido de perdão pelos mesmos motivos tenham chegado ao seu coração. Eu fui uma adolescente idiota (haha, redundante) e você foi uma avó amarga por um tempo. Eu não tenho culpa pela mãe que eu tenho, nem você tem culpa de tê-la parido assim. Ela é o que é e nós somos o que somos (ou fomos, no seu caso) e o azar é o nosso que temos de conviver e nos amar, apesar de.
Ah, sim. Não me conformo em não saber dos detalhes sórdidos de sua relação com o vovô Francisco. Sei, por outras bocas que não a sua, que foi um lance bem novela das seis: você uma moça bonita e com posses, vovô um tropeiro, paixão, mistério, etc. Danadinha! Tem certeza de que você não guardou nenhuma foto do vovô? Eu adoraria saber como você era mais nova. Aliás: adoraria vê-la com os cabelos soltos por mais tempo (não só quando você lavava e deixava secar antes de fazer as tranças). Adoraria vê-la de calças também.
Como percebes, meu linguajar é primário e está longe de ser polido. E fico imensamente feliz ao lembrar que você não se importava com isso. Depois daquela última briga feia que culminou na nossa reconciliação foi uma delícia perceber que você só nos queria por perto. Mas era um perto não autoritário, foi um perto que entendeu os momentos de distância, foi um perto que a gente aprendeu a aproveitar.
Titia ainda me preocupa, apesar de entender que o problema é dela. Foi muito bom também ter rompido a barreira entre nós e ter dado o primeiro passo. Nisso compreendi que demonstrar é a deficiência dela. Claro que me enche o saco o fato dela ser como é, sempre achando que tem de carregar o mundo nas costas e que se ela parar tudo cai, mas fazer o quê?
Eu teria mais milhões de coisas para falar mas todas elas parariam no mesmo ponto: sinto muito sua falta, muito de tudo e de todos. E de noite sempre lembro daquelas noites em que você, insone, ficava matutando e cochichando consigo. E de quando era sábado e eu, emburrada, subia na cama para limpar seus santinhos e trocar a toalinha do altar com suas nossas senhoras e etc. Eu sempre lembro disso quando quero um confortozinho.
Pretendo voltar lá pela terrinha no meio do ano. Mas confesso que não sei ainda como vai ser. Não sei responder se já estou ou se algum dia estarei preparada para sua ausência física naquela casa tão impregnada de você e suas manias.
Supondo que existam mais vidas, sejamos menos virginianas nas próximas, ok?
Com amor.
P.S.: Caso não tenha percebido, eu roubava dinheiro de sua bolsa de quando em vez.