Voyage 34
No início de setembro dou um pulo na minha segunda cidade natal. Espero que os poucos dias sejam suficientes para matar a saudade dos meus amigos, ex alunos, comer o melhor (ou melhor: O MELHOR) hot dog de todo o universo e finalmente fazer aquilo que nunca fiz mesmo morando lá por 3 anos: tirar fotos.
Bento Gonçalves foi o momento mais importante da minha vida porque foi quando experimentei viver sozinha. Meu quarto tinha uma cama de ferro velha que gemia a cada respiração, um colchão de segunda mão, um guarda-roupa de duas portas (ou como se fala por lá: roupeiro), uma mesa de vidro usada com duas cadeiras velhas onde ficavam meus apetrechos e dois ou três vasos de violetas. Era solitária a minha vida. Chegava da escola aos sábados lá pelas cinco da tarde com os braços cheios de revistas fresquinhas. De microondas e cia até bravo. Foi o tempo em que eu usava caneta e papel para minhas anotações mentais que seriam transformadas em posts. Foi quando confiei meu período mais criativo em frágeis disquetes e textos e mais textos (os melhores, acredite) morreram por causa da umidade. Era quando não tinha tanto tempo e conexão mas não me faltava desenvoltura e paciência para transcrever meus pensamentos nas letras.
Dia 6 é o dia. E o que tem isso? É que são 29 anos. E a sensação que tenho é a de que minhas amarras são um pouco mais frouxas. Não tenho vergonha de admitir que faço pfffff para muito mais coisas do que antes, de que minha vida profissional não é o pulmão do meu corpo, de que não faz mal não ler tanto quanto mereço, de que isso que começou como a porra da reeducação alimentar transformou-se em como para viver e coxinha não faz falta, de que tomates e alfaces (assim como contratempos) são perfeitamente saboreados desde que se use o tempero correto, de que usei base pela primeira vez na vida na semana passada e que nunca fui num motel, de que me arrependo amargamente de não ter dado um murro na cara de um cara que disse na minha cara que não namoraria comigo porque eu era gorda, de que tive ao menos três noites maravilhosas nos últimos meses (as duas idas ao Afonso Pena esperando um certo retorno e a noite de Piratas + comilanças + AS PESSOAS). Aos 29 a gente faz vista grossa para o que não interessa porque nos tornamos, acho, mais preguiçosos e parcimoniosos. Ou simplesmente para evitar rugas.
August 24th, 2006 at 6:23 pm
Ou simplesmente porque você está ficando mais sábia.. rs
August 24th, 2006 at 7:05 pm
Eu tenho a teoria que tem um musculozinho interno que cansa de se estressar. O meu acaba de ser reativado, inclusive…. Beijos gaúchos.
August 24th, 2006 at 8:03 pm
wah, fiquei emocionada pela parte que me toca.
e por todas as outras coisas também, pois, com o tempo, além de me tornar mais fazedoira de pfff (como é de praxe), também fiquei mais mole :~
August 29th, 2006 at 12:20 pm
seu comentário me fez lembrar que morei num canto fisicamente parecido aqui em curitiba, só que, o lugar era sombrio, minhas roupas fediam a fumaça do cigarro que vinha dos quartos vizinhos. tinha uma mulher que limpava a pensão e que não ia com a minha cara e a miha janela dava pra assistir as garotas se vendendo barato na esquina. saudade? nenhuma.