Archive for August, 2006

Voyage 34

Thursday, August 24th, 2006

No início de setembro dou um pulo na minha segunda cidade natal. Espero que os poucos dias sejam suficientes para matar a saudade dos meus amigos, ex alunos, comer o melhor (ou melhor: O MELHOR) hot dog de todo o universo e finalmente fazer aquilo que nunca fiz mesmo morando lá por 3 anos: tirar fotos.

Bento Gonçalves foi o momento mais importante da minha vida porque foi quando experimentei viver sozinha. Meu quarto tinha uma cama de ferro velha que gemia a cada respiração, um colchão de segunda mão, um guarda-roupa de duas portas (ou como se fala por lá: roupeiro), uma mesa de vidro usada com duas cadeiras velhas onde ficavam meus apetrechos e dois ou três vasos de violetas. Era solitária a minha vida. Chegava da escola aos sábados lá pelas cinco da tarde com os braços cheios de revistas fresquinhas. De microondas e cia até bravo. Foi o tempo em que eu usava caneta e papel para minhas anotações mentais que seriam transformadas em posts. Foi quando confiei meu período mais criativo em frágeis disquetes e textos e mais textos (os melhores, acredite) morreram por causa da umidade. Era quando não tinha tanto tempo e conexão mas não me faltava desenvoltura e paciência para transcrever meus pensamentos nas letras.

Dia 6 é o dia. E o que tem isso? É que são 29 anos. E a sensação que tenho é a de que minhas amarras são um pouco mais frouxas. Não tenho vergonha de admitir que faço pfffff para muito mais coisas do que antes, de que minha vida profissional não é o pulmão do meu corpo, de que não faz mal não ler tanto quanto mereço, de que isso que começou como a porra da reeducação alimentar transformou-se em como para viver e coxinha não faz falta, de que tomates e alfaces (assim como contratempos) são perfeitamente saboreados desde que se use o tempero correto, de que usei base pela primeira vez na vida na semana passada e que nunca fui num motel, de que me arrependo amargamente de não ter dado um murro na cara de um cara que disse na minha cara que não namoraria comigo porque eu era gorda, de que tive ao menos três noites maravilhosas nos últimos meses (as duas idas ao Afonso Pena esperando um certo retorno e a noite de Piratas + comilanças + AS PESSOAS). Aos 29 a gente faz vista grossa para o que não interessa porque nos tornamos, acho, mais preguiçosos e parcimoniosos. Ou simplesmente para evitar rugas.

Pra bom entendedor etc.

Friday, August 4th, 2006
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Mais do mesmo

Wednesday, August 2nd, 2006

Hermés Galvão é um jornalista com espaço no globo.com onde escreve basicamente sobre o que não gosta. É um ranzinza, óbvio, como todos aqueles que escrevem sobre o que não gostam. Mas um ranzinza que escreve com qualidade e me proporciona momento de risos orgásmicos.
A sensação que tenho é a de que ele acorda todos os dias com o pé esquerdo e tem como primeira tarefa diária afiar a própria língua com um esmeril para em seguida abrir a janela ou o jornal à procura do que falar mal. São textos que não servem para minha concordância ou discordância e sim para minha reflexão do quanto nosso comportamento chega a ser ridicularmente hipócrita e mesquinho. Mas, vamos aos fatos.
O lance é que frequentemente ele fala mal de evangélico. De forma exagerada e generalizada como pede todo texto irônico. E eu nunca disse isso mas eu odeio maus evangélicos, maus católicos (o Mel Gibson hein…), maus espíritas, maus pais de santo e maus ateus. Não os odeio do ponto de vista religioso, mas do ponto de vista humano. Os odeio naquele momento em que eles esquecem - como bem diz o ditado - de que o meu espaço termina quando começa o do outro, ou que todos os caminhos levam a Deus, ao diabo ou ao nada se assim quiser. Mas vamos ao motivo de odiar maus evangélicos.
Tenho exemplos de bons evangélicos: irmão, cunhada, amigos, mas maus evangélicos são preconceituosos sim, são tapados sim, se iludem tanto quando qualquer outro idiota que quer que o divino mande graças sim. O que, por exemplo, um mau evangélico da IURD (redundâncias à parte), deve imaginar quando vê que um cara que não tinha nada hoje mora numa casinha modesta como essa?
Basicamente divido os maus evangélicos em dois grupos: os que dão tudo o que têm para a igreja mesmo que passem necessidades porque acham que isso garante terreninho no céu e os que gastam boa parte do que ganham comprando roupas e garantindo um cenário de status para receber os irmãos de igreja e frenquentar o templo bem vestidas (já que pelo menos você precisa parecer bem de vida porque isso quer dizer que você está sendo abençoado). E o que sobra, é claro, é dado para a igreja já que, como disse o Hérmes, tem sempre um bairrozinho pobre precisando de um novo templo com capacidade para 5000 mil torcedores - clientes. Em nome da fé negociável hoje é fácil encontrar templos com mesas brancas e ex pai de santo dando consulta aos fiéis. Como assim, Bial? Isso não era hábito daquela outra religião que a mesma igreja revela em cadeia nacional que é coisa do demônio? Mas, peraí, entendi: é coisa do demônio porque é lá. Aqui é coisa divina, atrai fiéis. Ah, tá. Assim sim.
E chegam a ser cômicas algumas situações como naquele dia em que lendo alguns tópico numa das trocentas comunidades da IURD do orkut alguém pergunta “orkut é coisa do demônio?” e o que se seguiu foi uma montoeira de resposta dizendo sim, o orkut É coisa do diabo. E ai de você, herege, que discuta pois eles têm um plano B usado quando não possuem argumentos (o que é bastante comum): tapar os ouvidos e sair correndo dizendo oh Deus, porque eu eu sou tão perseguido? Isso deve fazer parte da vida de uma pessoa correta e com a vida pautada nos ensinamentos divinos como eu?
Experimente dizer a um mau evangélico que você católico, pai de santo ou espírita. O que você receberá em troca será o desdém, você vira um ponto cego naquele momento. Ou pior: você é agraciado com a compaixão do cara por ver você, uma pessoa tão boa até, nesse caminho que não leva a nada. E eu te desafio a vir na culto das 19:00 horas e conhecer o verdadeiro caminho da luz.
Admito que quanto mais mexemos nessa merda mais percebemos que o que existem são más pessoas por parte dos contratantes e do contratado. E o que fica a sensação de que em vários locais é necessário deixar o cérebro na portaria, já que o primeiro dízimo é parar de raciocinar.