Minha cabeça está cheia de coisas. De coisas novas e de coisas de sempre. De dor, de gripe, de pensamentos. E eu vejo a irmã aqui bater o cartão de ponto da outra irmã que não chegou e que só chegará depois de mais de meia hora porque faz falta os centavos perdidos caso isso não ocorra. E vejo a garrafa de água semi tomada na mesa de trabalho e ela sua e escorra como um corpo recém comido no verão e o suor – da garrafa – escorrega até as folhas A4 impressas. E hoje é segunda e nem bem começou o ciclo e minha boca sente – ou deseja – gosto de própolis pingado na língua e chego até a fazer a careta pelo gosto estranho de alcóol que isso tem. E eu queria um hospital como soro na veia e aquele cheiro de mingau misturado com desinfetante de quarto récem limpado e que alguém soubesse do que se passa comigo agora mais do que eu e que tivesse mais coragem do que possuo pra mudar.
Heim?
tá melhor, belezoca?
olha, eu te espero aqui em casa viu? para muitas caminhadas, fofocas e apertões.
venha o mais rápido que puder.
beijos nossos.
ahahahaha não acredito amole.
pelo menos agora tem dinheiro para vir me ver.
beijos
Mudar não é fácil, mesmo. A única dica que eu posso dar é “não tente sozinha”. Porque com profissionais ajudando já é foda. Sem eles é o fim.
As vezes a mudança é feita de pequenos passos…