Hoje sozinho não sei pra onde vou, é o caminho que vai me levando ô ô.
Chega a ser *frustrante a forma como minha consciência tem se comportado nos últimos tempos. Não nomeio isso de elevação espiritual pois não me cabe julgar algo assim, mas é impossível não perceber o que chamo de uma certa maturidade com que tenho encarado determinadas situações, simplesmente por agir como se a mudança se propagasse de dentro pra fora. Por exemplo, nos conflitos. No meu histórico não muito distante você encontraria situações em que eu estaria respondendo bem mais frequentemente agressão com agressão. Era comum você me ver atracada com situações rídiculas com troca de ofensas e digo hoje que isso me envergonha profundamente. Domingo fiz uma prova. E tente imaginar o que é fazer uma prova depois de uns seis anos sem estudar. Nas duas ou três semanas anteriores, dei uma passada de olho nas coisas, sem compromisso muito grande. Na noite anterior fui caminhando até o extra pra relaxar, assisti Mission Hill, deitei depois da uma, dormi depois das quatro, acordei às sete, tomei um copo de café, fiquei grogue até as oito, fechei os olhos, relaxei e fiz uma ótima prova até as onze. Saí, comi meu chocolate, bebi minha água e ao chegar em casa percebi que havia acertado boa parte das pouquíssimas questões que havia deduzido ou chutado. Lembrei do concurso do Banco do Brasil. Tragédia total. Três meses de estudos pra passar mal durante a prova e apenas assinar e sair. Mas eu comecei esse texto para falar mal da minha consciência e é o seguinte: dia desses, vendo determinadas opiniões nos fóruns e orkuts da vida sobre coisas variadas, percebi a quantidade de pessoas que agem de forma covarde, apenas porque sentem estar preservadas pelo anonimato. Pessoas se agredindo, chamando a Katilce de puta, dizendo que aquela gorda da Preta Gil deveria se matar, etc, etc. Isso me enfurece, não por gostar de uma delas, mas porque isso mostra o descontentamento de alguns diante da felicidade de outros. Não quero entrar no mérito de discutir se elas agem corretamente ou não, mas a chuva de críticas inúteis que cai sobre elas é apenas reflexo de pessoas reprimidas, pessoas que vão à festa e não dançam porque sentem vergonha, mas gastam seu tempo criticando a gordinha ou a desajeitada que sentiu vontade e foi lá dançar. Qual delas é de bem com a vida: a que se reprime ou a que agride a visão e a auto estima alheia ao levantar-se pra dançar? Aí é que entra minha cosciência para me atrapalhar. Porque a vontade que tenho é a de dizer: filha (o), pegue sua opinião, sua raiva, seu ódio, sua crítica, sua inveja, sua incapacidade, suas frustrações, suas dúvidas, suas neuras e enfie no cu e depois faça um bem à humanidade e se mate. Mas minha consciência me diz que não devo fazer isso porque eu estaria alimentando o cão errado, porque cada um já é crucificado pelas suas escolhas, pelos seus pensamentos. Que ao semear sentimentos ruins vou estar descendo um degrau, que se não posso construir, que eu não destrua, que não é porque você é diferente de mim (em corpo ou pensamento) que não posso te chamar pra tomar um café. E que cada vez mais eu me desamarre de tudo (conceitos, dogmas, diretrizes) e preste atenção na essência, mas obedecendo os meus limites (que faz parte dos limites do mundo). E isso se aplica tanto à necessidade que tenho de canalizar bem a minha agressividade quanto à serenidade nos momentos de concentração.
Eu até que desejo, mas não saberia como evitar o seu pensamento de tá se achando, hein nega mas mudar a sua impressão equivocada ao ler está fora dos meus limites e da minha necessidade, já que apenas quis expressar minha felicidade ao perceber que estou alimentando, ao menos um pouco mais, o cão certo.
* Ironia pura, viu? É que ainda é mais divertido ser diabinho.
March 21st, 2006 at 10:58 am
Oi, moça! Gostei particularmente muito demais desse seu texto, viu? Acho que ainda não estou tão zen pra algumas coisas, mas tenho questionamentos parecidos. E essa coisa de odiar as pessoas que “agridem a estética”… Fia, parece que esse culto maluco ao corpo tá deixando todo mundo meio doente, não tá, não? As pessoas tentam se adequar, tentam se adequar, se conseguem o mundo vira só aquilo, se não (ou acham que não), começam a destilar um ódio, uma raiva que não sabem pra onde dirigir… E é comunidade pró-ana e pró-mia (eu não sabia o que queria dizer até pouco tempo!!!) brotando e “eu odeio gordos” e negros e baixinhos e altos e quem tem o dedão do pé esquerdo voltado pra direita… medaaaaaa!!!
Sei que não era exatamente sobre isso que estava falando, mas entende o que quero dizer, não?
Bão, falando nisso, tenho orkut agora, esperando a moça me adicionar. O link do profile tá lá no Diário. Beijocas.