Archive for February, 2006

Falta

Sunday, February 26th, 2006

a receita
o descanso
o fuxico
a leitura
o passeio
a visita
o filho
o estudo
o exame
o pedido
o cálculo
a festa
a verificação
a foto
o mercado
a reeducação
o banho
a lista
a conversa
o pagamento
a unha

Wednesday, February 22nd, 2006

Cólica ruim, desgraçada, filha da puta. Por que não nasci macho pra poder ser naturalmente insensível?

Todo mundo fala e eu sou mais uma

Monday, February 20th, 2006

Claro que vi pela TV, claro que esperei pelas quatro canções que eu realmente conhecia, claro que eu quero chegar aos 63 pulando daquele jeito, claro que a cinturinha dele é melhor que a minha, claro que a parte mais charmoséssima dele é aquela feiura descomunal, claro que odiei os vips arroz de festa, claro que eu queria estar lá mas faltou-me coragem, claro que a transmissão global foi uma fuleiragem só, claro que rolou briga e coisas piores. Mas o que não suporto, o que eu REALMENTE não suporto é ler nos fóruns da vida a opinião de quem foi e de quem não foi, esbajando diarréias verbais, insultos, bairrismos, comparações idiotas (= beatles?), nacionalismos, idéias revolucionárias, pseudo filosofias, teorias da conspiração, nariz empinados de quem não assistiu por 10 segundos, etc, etc. Esses espaços de debate só servem para mostrar-me uma coisa: opinião é igual CU, cada um tem o seu mas não é todo mundo que sabe USAR.

Caro Senhor

Wednesday, February 15th, 2006

Sabe, dia desses numa das noites em que o sono perde o ônibus e demora a chegar eu lembrei de você, senhor. Não da sua pessoa especificamente, mas de toda a consequência acarretada do fato de você ter aparecido em minha vida. Mas não pense que foi algo premeditado do tipo “ah, como estou sem dormir é lógico que vou pensar naquele homem aparentemente bonito que fez parte da minha vida dos tempos longínquos”. Não. O lance foi “ah, já que o sono não vem, deixa eu pensar nas merdas do meu passado”. E foi aí que você veio. Olha como as coisas são engraçadas, eu pagava o maior pau por você. Achava charmosa aquela atenção que você me dispensava, os telefonemas de bom dia, o cartão que chegou pelo correio. Mas eu deveria ter desconfiado de que algo estava errado quando você falava de suas amigas lindas, principalmente daquela japonesinha perfeita. Rá! Não me perdoo por não ter farejado a sua baixíssima auto estima principalmente quando você dizia o quanto elas eram legais, companheiras, e principalmente LINDAS! Que tipo de homem diz para a (rôrôrô) namorada que precisa mostrar a foto da sua amiga-que-é-uma-japonesinha-linda só para que a namorada saiba o quanto-a-japonesinha-é-linda? E que tipo de (rárárá) namorada não percebe o pau de bosta que tá atracado nos braços? Eu deveria ter desconfiado quando você disse que os seus companheiros da casa estavam te reprimindo só porque você usava o telefone e não pagava nada. Por que será que eles foram tão injustos, hein? Coitadinho de você. Será que é porque você devia uns 800 paus de telefone? Que é isso, gente, e a amizade? E aquele lance da tua (ex) esposa, hã? De te endividar em quase 2000 mil reais de telefone pra falar com o amante carioca. Poxa cara, na boa, como é que eu não percebi que estávamos fadado ao fracasso? Por que será que daquela última vez que você veio, deu aquele desespero de voltar logo pra tua casa porque “bateu saudade da filha” e de noite quando liguei você tava com uns amigos no shopping? E eu cara, em qual grau de burrice você me encontrou? Como é que eu cai nessa? Por que é que me senti tão importante quando você ligava quase chorando porque eu não atendi o telefone à noite e você teve medo de me perder? Houve esse tempo em que eu confundia insegurança extrema com amor? Sabe senhor, não quero lavar roupa suja, isso aqui é mais uma análise que faço da minha capacidade de ser tão cega diante de alguém. É apenas a constatação de uma época em que eu acreditava que amor falado enchia barriga. E eu que pensava que você gostava de segurar na minha mão quando a gente saia e de tão tansa não percebia quando você se agitava é porque queria estar em qualquer lugar menos ao meu lado. Que bom senhor que você não quis receber o que eu achava que podia E queria te dar. Que bom que você me rejeitou e que eu quebrei a cara mais uma vez. Aprende-se na vida o que ser, e o que não ser. Pra falar a verdade hoje até me divirto quando vejo o que fui pra você e pra tantos outros de antes e depois de tua época. Até me divirto ao saber que o único elogio que você era capaz de dirigir a mim é que tenho uma voz bonita. E olha, minha voz continua a mesma, mas a minha delicadeza… Porque com homens como você foi que eu aprendi a ser dura, guardar o que tenho de precioso para quem realmente queira receber, não acreditar em cenas idiotas de ciúme e possessão. Foi com homens como você que eu aprendi que se o cara não é capaz de mijar de porta aberta conversando contigo é porque tem algo errado. Porque se ele não te mostra o xixi é óbvio que ele não vai mostrar o resto. Se você realmente quer saber o que desejo hoje para você digo que: espero que esteja bem, como eu estou (resposta mais adequada) ou pouco me importa (resposta correta). Na verdade senhor, para não ser injusta eu digo que você me deu três coisas que foram muito importantes para mim naquela época: o modem, a placa de som e as caixinhas.

Como escrever idiotices - Lição 2

Wednesday, February 8th, 2006

Essa noite eu sonhei que você matava comunistas. Daí eu disse que assim não dava pra continuar e saí de casa. :O

Uptade: o problema é que não sei se o problema era matar pessoas ou matar especificamente comunistas.

Como escrever idiotices - Lição 1

Monday, February 6th, 2006

Querido diário
Hoje recebi a ligação do fulho da pita do gerente do banco brasileiro e ele me prometeu pela décima segunda vez que não teria mais débitos inconveninentes na minha conta salário. E eu acreditei.
Da sua sempre
Eu

Thursday, February 2nd, 2006

No dia em que eu crescer e precisar me preocupar com o que fazer da vida acho que vou ser chefe de cozinha. Mais do que comer eu adoro cozinhar e acredito que não teria nenhum problema em fazer disso o meu ganha pão (pausa para a percepção de um discretíssimo trocadilho infame). Enquanto amasso o alho e pico a cebola minhas emoções passam por um filtro e desaguam num lago de refogados na manteiga. Dia desses, na segunda feira pra ser mais espécifica, fiquei prostrada em frente à TV vendo um cara fazendo um ovo mexido. Mas não era um ovo mexido desses da pressa. Eram ovos cuidadosamente misturados, temperados com sal e pimenta, sobre uma tigela em água fervente, mexidos com fouê até que vire um creme semelhante à um arroz milanês. No prato, a cebolinha acrescenta o verde e o sabor e o parmesão recém ralado coroa e atiça. Daí você pega o pãozinho de ontem que virou a torradinha de hoje e dá uma meladinha e chomp.

Mas meu preferido mesmo é o refogado. Todos aqueles ingredientes sambando no fundo da panela com um pingo de óleo e tampado para desmanchar. A cebola, tomate, pimentão, alho e um, claro que sim, pedacinho de pimentinha. Deveriam coletar esse cheiro e vender como aromatizante. Eu gosto de cozinhar com tempo, com companhia (por que alguém que esteja, sei lá, tocando um violão na sala merece companhia enquanto quem cozinha não?), com paciência e com boa vontade, deixar a coitadinha da soja hidratar, escorrer, curtir o tempero, o refogado, cozinhar lentamente com pouquinha água, os ingredientes que dão gosto pedaçudos ignorando os mastigadores preguiçosos e olha, recheie as panquecas e espere o elogio, principalmente de si.

Poucos, pouquíssimos falam tão gostoso sobre comida como a Sônia Hirsh. Dias desses eu li um dos seus textos em que relatava sobre conservas e, acredite, deu vontade de comer o bendito chucrute cuja descrição de preparo era feita.

Talvez seja isso que eu procuro e não acho. Talvez, se eu tivesse coragem suficiente de largar essa minha, digamos, segurança, e pular de cabeça mesmo descobriria que é isso que me faz feliz e satisfeita.

Wednesday, February 1st, 2006

A parte boa:

- Dois dias de folga em casa

A parte ruim:

- Por causa de uma indisposição intestinal (vulgo aquilo lá mesmo) e duas extrações dentárias.

Falta do que fazer dá nisso. Você senta, abre o bloco de notas e começa a pensar numa arca de Noé mais ecologicamente correta do que a que dizem que existiu. Uma daquelas do tipo o que você mandaria pras cucuias sem um pingo de dó na alma. Eis minha lista:

- Metabolismo feminino. Ou que nosso pai eterno seja menos machista e dê ao homem igual capacidade de gestar, parir e dar de mama porque a gente não aguenta mais esse depósito sem fim de hormônios que distribuem gordura por todos os nossos lados.

- Canal dentário. Seria tão mais simples, tão menos traumático, tão menos exigente o tratamento dos dentes se simplesmente você pudesse arrancá-lo porque em oito dias nasceria outro.

- Imitações baratas. Vale música, inspiração, jeito de ser, falar e agir. Inclua-se nesse ítem, claro, todas as adolescentes sem personalidade e versões abrasileiradas de músicas estrangeiras.

- Ok. Caberia no ítem anterior mas, de tão ruim, DE TÃO RUIM, coloquei num só ítem. A banda (sic) Calypso e todas aquelas bandeirolas coloridas de São João que a moça (sic) usa como roupa.

- Taxistas feios, mal educados e que aparentam mau cheiro. Faça um teste: se você olhar pro taxista e ele tiver cara de quem se chama Beiçola faça a fila andar.

- As capas de revista, os que aparecem em Caras, os bebebês, os pseudo cantores, os calouros da música e o Michael Jackson. (Falta-me adjetivos para descrevê-los).

- Os vendedores da cêiá. Já tem cartão cêiá? Não! Seu merdica de cabelo engelzado! Toma logo esses vinte centavos que seria tua comissão e não me enche a paciência.

- E por último, a Glória Maria, claro.

Acrescente o seu escolhido também, quem sabe se eu juntar umas mil adesões…