Arquivo de novembro de 2005

IDÉIA DE COMERCIAL DE TV

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Cenário: vendedora com cara de professora Helena aborda cliente.

Vendedora: Você já tem o cartão xxx? Não? É sem anuidade, sai na hora e você pode já sair comprando em até 8 vezes sem entrada.

Cliente: ã.

Vendedora: vamos, é rapidinho e sem burocracia

Cliente: tá bom.

Vendedor: como é seu nome?

Cliente: Maurício

Vendedora: prazer Maurício, eu sou a Gisele Bündchen

(Sobe música patética e um locutor de voz grossa dizendo: você realmente acredita em tudo que dizem? Só nas Lojas yyyy você tem a garantia de não levar gato por lebre. Lojas yyyy, a gente não fala, a gente faz)

Uou! Quase uma Olivetto.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Por mim pode levar.

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

A verdade, a verdade é que todo mundo é uma ilha completamente cerca de nadas.

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

As pernas doem

Os olhos ardem

O desânimo chega.

VOYAGER

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

O tempo que falta para chegar o dia vinte e um de dezembro, a quantidade de coisas que tem para fazer até lá, a irritação da minha garganta neste momento, a expectativa de passar o fim de ano junto à mamãe e CIA depois de – veja só – quatro anos, a quantidade de areia que se emaranhará nos meus pêlos pubianos é inversamente proporcional à minha paciência para esperar o décimo terceiro e a quantidade de coisas que poderei fazer com ele.

Crianças, crianças, vocês não sabem, eu cortei a babosa e meus braços estão doendo como os de um lenhador que derrubou a floresta amazônica com uma faquinha de serra. E lá se foram três sacos pretos de cem litros com os restos mortais da falecida. Enquanto retirava suas folhas verdes com seu líquido viscoso jorrante, imaginava aquela cena do alien – a ressurreição em que o alien, recém nascido e com cara do Esqueleto, matava sua pobre mãe.

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Desde a minha tenra infância eu achava que as coisas – no sentido de o que gostaria de ter/viver e o que realmente tenho/vivo – possuiam um poço profundamente infinito que os separaria de tal forma que um ítem nunca pularia do gostaria para o realmente. E não é difícil visualizar que muitos dos ítens permanecem no primeiro grupo: um corpo legal, ter escrito vários textos que já li, um emprego bacana, uma piscina no terraço, ser menos preguiçosa intelectualmente, ser chef de cozinha só por hobby, ter um daqueles ursos grandes de rifa, etc, etc. Mas o lance é que algumas coisas realmente mudaram de grupo: morar em Curitiba, casar, ter um espaço legal, um plano de saúde, conhecer a obra do Douglas Adams, etc, etc. Você que pensou: mas tudo é questão de esforço, aproveitar as oportunidade, estava escrito nas estrelas, você mereceu eu digo Argh! Nunca fiz nada, nunca tive ambição de nada, as coisas comigo aconteceu assim pá pum, sem premeditar, organizar. Se esforçar? Hummm ãaa. Sim porque minha bunda não é pra lua. Talvez eu seja a pessoa mais sem força de vontade que você conheça. Sério. Não tenho planos a médio e longo prazo e um ou dois a curto que podem mudar amanhã, não penso em plano de carreira, a minha bagagem cultural não chega nem na esquina. Como disse a alguns posts atrás, eu também sou uma farsa. As coisas acontecem apenas. Dia desses eu acordei com 28 anos e foi ontem que eu fiz um email no yahoo com kmsc23 (kmsc são minhas iniciais e 23 a idade). Ontem foi 2000. Eu com 28, vê. Eu, a mesma que adquiriu terça feira a coleção da Fofolete. Eu que pintei o pote de vidro com cola colorida, a mesma eu que ano que vem quer ter um filho. A maré vem, arrasta tudo e eu, por falta de opção, somente pego minha bóia e vou.

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

A boa notícia é que resolvi fazer concurso público e mamar nas tetas do governo é que no início de dezembro o Pulse estará nas lojas. A má é que precisa estudar e gastar dinheiro com apostila e dvd.

A boa notícia é que, olha! tem post novo. A má notícia é que não é nada que desperte orgasmos literários em alguém.

E meu estômago é um enfermo entulhado de queijo e chocolate sedento por água, chá e descanso.

domingo, 6 de novembro de 2005

Eu deveria andar com papel e caneta sempre. Deveria. Mas preciso de uma bolsa nova, do tipo que deixe minhas mãos livres para fazer outras coisas. Ou uma mochila com sistema anti-furto. E que eu não me separasse dela para nada porque o seu modelo permitiria a livre ir e vir desde a loja 199 até o Guaira. Só assim eu poderia rabiscar umas coisas que veio aqui (aponta pra cabeça) ontem quando enrolava um pouco enquanto o Paçoco respondia umas coisas secretas num hotel da sete de setembro. Mas eu não tenho papel e caneta na bolsa sempre e daí o que aconteceu? O que veio pra sair não saiu e morreu. Por isso que tô enrolando aqui descrevendo esse aborto verbal e dizer que o Paçoco me perguntou o que fiz pra sair em destaque no blogger. Daí eu respondi que dei pro Bloggerman. Simples assim.

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Eu gosto de Curitiba. Principalmente em dias de muito sol e pouco trabalho. Gosto de poder morar onde sempre quis e não enjoar de passar ao lado do botânico e ver aquela turma fazendo alongamento. Gosto de sair do trabalho às 14:30 e ir para a biblioteca e ler todas as revistas que gosto e os gibis que venero sem ter de pagar um tostão. Gosto de sentar em mesinhas, pedir algo e ficar ali olhando aquelas pessoas com sacolas pra cima e pra baixo e pagar cinquenta centavos num pastel de queijo ou três reais numa refeição com direito a uma porção de carne. Gosto de passar pela quinze e ver qual a roupa que a borboleta treze escolheu e o cara que anuncia a volta do Cristo enquanto compro por dois reais um livro de poesia de um grupo de autores que, sabe Deus, serão um dia mais que anônimos. Gosto de olhar no carrinho de pipocas e ver os pombos esperando sua parte ou aquele cara que me ofereceu um cortador de cabelo elétrico por trinta reais. Gosto de chegar no trabalho com os olhos esbugalhados e sedentos pelo café da dona Carmen e ficar na cozinha falando merda por cinco minutos antes de começar a pegar no batente. Gosto de ter uma floreira sem flores mas com um pé de babosa do tamanho do mundo. Gosto de saber que agora lá em casa uma mulher estranha limpa o chão que eu piso e que finalmente aquele besouro morto no banheiro vai sair de lá. Gosto de ter o Extra no fim da rua onde moro e poder ir lá as três da manhã comprar um aspirador de pó. Gosto de ver as pessoas dizendo que todo mundo daqui é mal humorado e metido a europeu e eu discordar completamente disso, mesmo quando várias menininhas acéfalas e com a síndrome avriulavínica olharem feio pra mim quando vou ao Mueller com meu chinelinho preto e minha velha bolsa jeans. Gosto de saber que mês que vem vai sobrar uma grana pra que eu compre um móvel pra sala e uns retalhos pra fazer uns fuxicos e depois costure um ao outro formando sabe-se lá o quê. Gosto de ter uma receita de brownie e outra de petit gateau pra testar e pelo menos três ou quatro pessoas que adorariam servir de cobaias. Gosto de poder ir nas lojas americanas e comprar quatro calcinhas, um pacote de bis e um de batatas pingles e pagar com o cartão alimentação. Gosto de saber que eu não tenho a vida perfeita e que ando em linha curva e que ainda não aprendi a tocar o violão e nem treinei minha voz ou fiz crochê mas foda-se. Ainda tem tempo. Acho.