Desde a minha tenra infância eu achava que as coisas – no sentido de o que gostaria de ter/viver e o que realmente tenho/vivo – possuiam um poço profundamente infinito que os separaria de tal forma que um ítem nunca pularia do gostaria para o realmente. E não é difícil visualizar que muitos dos ítens permanecem no primeiro grupo: um corpo legal, ter escrito vários textos que já li, um emprego bacana, uma piscina no terraço, ser menos preguiçosa intelectualmente, ser chef de cozinha só por hobby, ter um daqueles ursos grandes de rifa, etc, etc. Mas o lance é que algumas coisas realmente mudaram de grupo: morar em Curitiba, casar, ter um espaço legal, um plano de saúde, conhecer a obra do Douglas Adams, etc, etc. Você que pensou: mas tudo é questão de esforço, aproveitar as oportunidade, estava escrito nas estrelas, você mereceu eu digo Argh! Nunca fiz nada, nunca tive ambição de nada, as coisas comigo aconteceu assim pá pum, sem premeditar, organizar. Se esforçar? Hummm ãaa. Sim porque minha bunda não é pra lua. Talvez eu seja a pessoa mais sem força de vontade que você conheça. Sério. Não tenho planos a médio e longo prazo e um ou dois a curto que podem mudar amanhã, não penso em plano de carreira, a minha bagagem cultural não chega nem na esquina. Como disse a alguns posts atrás, eu também sou uma farsa. As coisas acontecem apenas. Dia desses eu acordei com 28 anos e foi ontem que eu fiz um email no yahoo com kmsc23 (kmsc são minhas iniciais e 23 a idade). Ontem foi 2000. Eu com 28, vê. Eu, a mesma que adquiriu terça feira a coleção da Fofolete. Eu que pintei o pote de vidro com cola colorida, a mesma eu que ano que vem quer ter um filho. A maré vem, arrasta tudo e eu, por falta de opção, somente pego minha bóia e vou.