Escrevi semana passada, quando fazia ainda sentido:

“Eu preciso falar de paz e de matemática. Desde ontem o sol fez as pazes com as terras curitibocas e por isso passaram o dia a trocar beijos e carinhos. Os pedestres agradecem e os guarda-chuvas tiram folgas. Ando por ruas sem ninguém. Casas bonitas, linhas retas sem nenhum passante, exceto eu, a admirar tamanho espaço cheio de quietude. Passo pela casa cheia de pedras pintadas de amarelas e escrito com tintas pretas frases do tipo os ovos são para brincar, não para comer e continuo porque a 8:30 chega o meu limite. Atravesso a avenida movimentada que desconhece as ruas acima citadas. Coitada.”

Não faz mais sentido, mas espero que a partir de hoje volte a fazer para que as roupas da área sequem. E não falei de matemática. Ainda. Fica pra próxima, tudo bem? Já foi a semana passada, já veio essa semana e a melhor coisa que fiz, se não a única boa coisa, foi ver esse filme. E ele é assim, como posso dizer… ele conquistou aquele lugar que apenas a Amelie havia conquistado. Uma espécie de hour concours, só que melhor. Olhei pro Carrey e vi aquele poço infinito de mesmice e vida convencional e disse: olha! um espelho. Não desenho, certo. Mas, ã… já passei por momentos de humilhação quando todos os meus colegas levavam suas bandejas com doces e salgados pra escola nos dias de festa e a grana lá de casa só permitia que comprássemos um pacote de bolachas. Mas eu enfeitava o pratinho, sabem? Mas a professora filhadumaputa nos discriminava. Ou nos dias em que eu, então uma menina de 11 ou 12 anos, ia representando meus pais ausentes na reunião sobre meu irmão menor. E seria pra lá que eu te levaria se um dia alguém quisesse roubar você de minhas lembranças. Como esquecer aquele dia em que subimos (eu, você, a mochila, um guarda-chuva e a chuva) a pé aquele morro em da Ópera de Arame e você cantou 6573945 vezes o início de Cupido? É isso. Depois tem matemática.

4 Responses to “”

  1. Pulga Ninja -ou Beta Says:

    O tempo passa e eh sempre um prazer voltar aqui e te ler e ver que tah tudo pra lah de bem!!

    Fique com Deus, fofura!

    Beijinho!!

  2. Verô Says:

    são essas pequenas coisas né? que fazem a gente esquecer de toda a filhadaputisse da vida.
    beijo, te amo.

  3. k. Says:

    mas é um filme lindo-lindo mesmo. você perdeu de não ver no cinema, eu saí boba da sala (mais que o normal, duh). tem um outro filme a ver com memória que me deixou encanadinha (no bom sentido): apesar de não ser lindo e da história não ser sublime, como o spotless mind, o ‘the final cut’ tem uma idéia geral bem boa - imagine se você tivesse um aparato implantado nos fetos durante a gestação, e que filmasse & gravasse a vida dele in real time. aí a pessoa morre e no funeral os amigos & familiares tem uma ‘rememoração’. i.e., um ‘editor’ revê a vida (quase) toda do cara e seleciona umas duas horas ‘especiais’. o que você ia querer selecionar? fico pensando.

  4. Eduardo Pereira Habk Says:

    Minhoooooom…

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