Ontem saímos para caminhar. Trajando roupas esportivas, com direito a tênis furado e manga de camiseta enfiada por baixo da alça do sutien, transitamos pela noite curitibana e pusemos para fora, entre outras coisas, calorias e gotas de suor. Daí aproveitei para contar um sonho que tive que foi mais ou menos assim: estávamos na casa antiga da minha avó quando ouvi um barulho estranho, algo como aquele que o Satan Goss fazia quando caminhava. De repente olhei para fora e o cenário era parecido com um local pré histórico, só que sem muitas árvores. Mas tinham aves estranhas sobrevoando tudo. No teto da casa da vovó, sabe o que é que tinha? O trono do Satan Goss (com ele sentado, claro) e um trono – bem menor, claro – onde estava o Mac Garen. Corri para dentro de casa e nisso despertei sua atenção que, obviamente adentrou atrás de mim. Senti que estava perdida e resolvi, calmamente, perguntar pro Mac Garen o que ocorreu. A criatura me respondeu, com trejeitos ar, er… estranhos: Você não tá sabendo, menina?. Claro, não aguentei e mijei nas calças de tanto rir. Acordei. Segundo o Paçoco, o barulho que o Satan Goss fazia pode ter vindo do ronco que eu mesma produzia durante o sono, já que existem substâncias estranhas transitando em minha garganta. Sonhei também com o Eddie Murphy, mas daí é outra estória.
Arquivo de agosto de 2005
T.N.T. for the brain
terça-feira, 30 de agosto de 2005quarta-feira, 24 de agosto de 2005
Vítima frequente dos abusos humanos – sexuais ou não – a vaca tem saído dos utensílios brega para cozinha e mostrado seu verdadeiro valor.
Apenas um tolo não percebe toda a profundidade e mistério que envolve o olhar de uma vaca pastando no seu espaço. Ruminando sua porção de mato, sem preocupar-se com as calorias, ela nos olha com aquele jeito irônico e largado, como quem diz “pouco me importo se você aperta minhas tetas beibe, os meus planos você sempre desconhecerá”.
Impossível negar todo o frisson diante do (por que não?) jeito de ser das bovinas. A vaca, para quem não percebeu ainda, tornou-se nosso maior símbolo de charme, beleza, postura, independência e principalmente, feminilidade.
Vou chamar o síndico
sexta-feira, 19 de agosto de 2005Oi. Entenda, o tempo é curto e os afazeres são longos. Minha parca inteligência não acompanha no mesmo pique tudo o que acontece. Precisei diminuir a carga e aumentar o tempo livre (leia-se: troquei o cursinho por caminhada). A saúde agradece. E nem me venha falar que é adiamento e que estudo é importante. É sim. Mas mais ainda importante é saúde, amor e ter tempo para caminhar pelas ruas perto de casa enquanto tenho pernas para isso. Mais importante ainda é poder ir à biblioteca trocar gibis e pegar uns livros aí para ler. Mais importante ainda é ter tempo de alisar a pele e usar aqueles cremes que nunca tenho tempo. E depilar o buço porque já cansei de ouvir “corram, a mulher com a lagarta-bigode vem aí”. Assim. É tempo de cuidado e de aproveitar o tempo. Recebi uma carta e olha, uma carta, sabe? Daquelas que vem de alguém que te conhece e que de tão íntimo já beijou tua boca para pagar uma aposta e que nunca dormiu contigo, mas junto a ti. Alguém que te mostra(ou) que existe amizade que sobrevive (e se fortaleçe) depois de anos sem se ver e tempos, tempos sem se falar.
E ontem foi o dia do cachorro louco. Descobri que a copeira do escritório cospe na garrafa de chá que não tomo, o zelador / porteiro metido a sindico é estelionatário e está preso e também presa fiquei no elevador entre o 11º e 12º andar. Quer mais? Lançarei minha candidatura a síndica e se eleita for prometo trabalhar para reduzir o valor do condomínio, consertar as luzes dos corredores, trazer mais segurança e clareza administrativa e, claro, dar um bom uso para os dois salário mínimos recebidos por isso.
terça-feira, 16 de agosto de 2005
Às vezes se anseia silêncio e se quer palavras ao mesmo tempo
Se está triste estando alegre
Se sente ter nada dentro do tudo
Ou nem se sente
Metade
segunda-feira, 15 de agosto de 2005Ontem, depois de chegar, ligar o gás, não tomar banho, comer um pedaço de pizza que sobrou do grande ritual da pizza e fubá de 40 quilos e folhear o guia dado por eles sobre “… como manter a organização do lar para que você tenha mais tempo para a vida cultural, lazer e convívio familiar…” joguei-me nos braços de Morfeu. Nada estranho, certo? E o que vocês diriam se eu contasse que sonhei que minha avó comia pão e goiabada em companhia do Osvaldo Montenegro?
quarta-feira, 10 de agosto de 2005
Então tá assim: cinza, molhado, parado, mofado. Não há meia que chegue para sapato furado em dia chuvoso, não há guarda chuva que te guarde da cabeça aos pés, não há casaco que ponha em extinção o frio dos que caminham anônimos. Sento-me na cadeira da escolinha e sinto inveja do fio de cobre – ao menos ele é friccionado para produzir calor – que se dilata.
Uma colega coloca sobre minha mesa um drops de cereja e retribuo com um meio sorriso. As lembranças viajam até os tempos em que eu carregava minha merendeira (já que falávamos merenda ao invés de lanche) e que de vez em quando descobria que na garrafinha que sempre vazava havia leite com nescau, mesmo quando era toddy. E que as bolachas cream cracker embaladas às pressas com guardanapo ou quebravam ou se embebiam no leite marrom derramado. Minha garrafinha era daquelas furadinhas sem tampa, bastava girar e tomar o conteúdo que sempre tinha um leve gosto da borracha de vedação da garrafa. Uma colega chamada Sônia era o alvo da minha inveja porque ela sempre tinha muito dinheiro (aos olhos infantis, algo como cinco reais é fortuna) e comprava todas as gostosuras que a cantina fornecia.
Nos meus tempos de escola pública, fui agraciada com a merenda escolar que, ainda no meu tempo, parecia comida de mãe. O macarrão com almôndegas, o mingau de milho ou tapioca e o arroz com sardinha reverzavam-se durante a semana. Nos dias em que a cozinheira estava cansada era servido um leite com achocolatado (que não merecia ser chamado de nescau) com bolachas.
Voltei de viagem quando um professor de nome Repolho começava a falar da África. Acaba a aula, volto para a lata de goiabada e encontro o melhor abraço do mundo. Durmo pensando que o barulho de portas batendo era resultado da falta de educação do vizinho e descubro na manhã seguinte que tudo não passa de uma brincadeira serelepe entre a janela da minha sala e o vento.
sexta-feira, 5 de agosto de 2005
Se todas as vezes que vejo uma imagem do Sr. Jefferson ele está com a mesma cara, posso chegar à conclusão de que ele foi vítima do vento malvado enquanto fazia careta?
quinta-feira, 4 de agosto de 2005
É assim. Mudei, a janela é linda, o chuveiro é indescritível, tem um pé de babosa no canteiro junto à janela, o elevador é levemente tosco, a vizinha tem um binóculo usado para espionar por trás das cortinas, o gato do prédio em frente tem comportamentos suicidas, o Leo Bona é vizinho, a padaria ao lado tem coxinhas estupendas por R$ 0,50, o trem que passa perto até que não é barulhento, o 0800 da Copel não serve para nada, a aquecedor tem jeito de lança chamas a transferência da linha custou R$ 6,00, o atendimento da GVT é pior do que desdentado comendo milho diretamente do sabugo, o cachorro quente da esquina é feito com pão de hamburguer e o porteiro / zelador metido a síndico é um mala.
