Deve existir um mecanismo que faz com que os filhos, em determinada fase da vida, sejam mais adultos que seus pais. Algo como uma compensação pelas trocas de fraldas e noites mal dormidas. Essa é a fase que observo em minha vida. Olho para minha tão amada mãe e percebo sua fraqueza e suas imaturidade nos momentos em que, teoricamente, ela deveria ser minha referência. Antes disso preciso abrir um parênteses para explicar certas coisas: alguns reclamam que seus pais cobram demais, fuçam demais, se metem demais em suas vidas. Eu reclamo que a minha mãe (já que meu pai morreu quando eu tinha 10 anos) sempre foi ausente.
Sempre sonhei em ouvir de minha mãe naquelas horas em que a dúvida juvenil pairou em mim algo de acordo com a realidade e não apenas uma mensagenzinha positiva. Queria que ela me ouvisse, queria que ela percebesse que eu percebia que por trás de suas palavras positivas existia alguém que escondia, inclusive de si, os próprios podres. Queria que minha mãe não fosse tão erroneamente positiva, à ponto de tapar o sol com a peneira diante das situações em que se fazia necessária a ação e não as palavras. Queria que ela, entre outras coisas, conseguisse perceber que deve haver algo errado em ser casada com um cara com menos de 50 anos e que não trabalha a quase 10, por pura preguiça. Queria que minha mãe não fosse tão estática na vida, que ela saísse um pouco do mundo em que vive e percebesse que amor não é só dizer aquelas três palavrinhas, mas agir. Queria uma mãe em que eu pudesse contar os meus planos e conversar mais claramente, sem que ela estivesse bêbada ou respondesse apenas entregue nas mãos de Deus.
Será que ela não percebe que Deus sozinho não faz nada?
Cansei de esperar e mesmo antes dos 20 já não me sentia capaz de cobrar nada, muito menos agora chegando perto dos 30. Tive mãe até os 8 anos e depois disso ganhei uma filha mais velha e, em alguns momentos, mais imatura que eu.
Em muitos momentos da minha vida, me senti assim, com uma filha mais velha e às vezes mais imatura que eu. Dói ainda enxergar os inúmeros erros que meus pais cometeram, principalmente a falta de carinho… Isso dói no fundo da alma… para sempre, eu acho…
Beijos anônimos
Complicado isso… Quantas mães conseguem dizer o que os filhos precisam ouvir? Tenho medo, muito medo de ser mãe; de não conseguir atender a essa expectativa; de não saber ouvir…
Muito foda…
Beijos!