RELATÓRIO BIMESTRAL
Wednesday, June 29th, 2005
Será um prazer olhar para o calendário amanhã e ver que chegou o último dia dessa sequência de dois meses que passaram e deixaram marcas permanentes. Angustiante e excitante para ser mais precisa. Começando pelo mês de maio, quando voltei a sentar depois de anos numa cadeira de escola e não desgrudar os olhos do quadro negro - piscar só no intervalo de dez minutos - e questionar, entre outras coisas, onde pelamordedeus minha mente escondeu todo o conhecimento sobre polinômios e também aprender razoavelmente como se usa vírgula, como nesse caso, e quando se usa travessão - brusco como só ele - nos textos.
Maio também começou com a suspeita de que um rebento enraizava em meu ventre. Duas semanas de aflição e milhões de situações imaginadas no caso de confirmação foram dissipadas com R$ 45,00 gastos em testes farmacêuticos e laboratoriais. Foi bom porque até já conseguia sentir meus quadris dilatando e, com um pouco de paciência, seria bem capaz de começar a vazar leite dos meus peitões.
Depois de mais uma noite mal dormida por causa da nossa querida ALL, levanto decidida a tomar uma atitude. Fiquei entre: a) bezuntar meu corpo com lama e fazer um protesto sujo em frente à estação rodoferroviária. b) abrir uma associação de moradores vítimas dos apitos de trem cuja primeira ação fosse condenar a passar 24 horas fechados e ouvindo no repeat os maiores sucesso do Latino todas as pessoas que acham lúdico acordar com esse barulho horrendo. c) juntar todo o resto de dignidade e encorajar o seu amado, querido e idolatrado paçoco à rogar para que a Caixa Econômica Federal visse nossa fatídica situação e financiasse um apartamento decente em troca de duas almas e mais umas 220 prestações. Apesar de saber que perdi a oportunidade de aparecer nas páginas de revistas com matérias legais, entrevistas, piadas e no espaçozinho que sobra, fotos de pererecas e furicas, escolhi a letra C. Veja o motivo à seguir
Entramos para ver e saímos para comprar. Lindo, com direito a todos os armários que uma pessoa precisa. Poderei usar até cabide. CABIDE! Ouviram? Como sei que você não saberá imaginar nossa alegria, feche os olhos - não sei como fará para continuar a ler - e imagine que é uma sardinha que vive numa daquelas latas menores e apertadas com mais 3 irmãos e daí chega o dia em que você consegue, com muito esforço e abstinência econômica, mudar-se juntamente com o sardinho de sua vida para uma lata do tamanho das de goiabada Cica. Foi isso.
Dentro de duas ou três semanas a liberdade de espaço sorrirá para o nosso lado. Pensamos em fazer um chá de casa nova e até fiz uma lista modesta para, quem sabe, passar entre os amigos e parentes. Mas como fiquei com medo de ganhar um conjunto daqueles copos azuis com desenhos em relevo, desisti.
Mas, se mesmo assim você está interessado em dar sua lembrancinha, escreva um email que mando um link de algo que preciso e você se encarrega apenas do colocar no carrinho em diante.
