Enquanto se lava a louça os melhores pensamentos te sorteiam.

Discussão que aconteceu tempos atrás e que voltou num pequeno flash na última sexta feira. Qual a importância da língua para a identidade de um povo? O que fiquei pensando agora à pouco é que, ao menos com as duas pessoas com que discuti sobre isso um impasse pareceu decisivo para a definição das opiniões: ao contrário de mim, eles não parecem tão preocupados com uma identidade coletiva. Não sei ao certo se é isso, mas foi a única conclusão que me veio à cabeça. Note que esse respeito pelas identidades e que me parece simpático é bem diferente de esbravejar que os americanos têm é de se F. ou deixar escorrer uma lágrimas com essas campanhas fantasiosas do governo federal sobre o povo brasileiro.

A minha opinião é de que a identidade de um povo é importante, não mais que desenvolvimento coletivo, que o respeito entre os diferentes povos, cada um em seu tempo. Esse pensamento se intensificou mais ainda pelo motivo da conversa: falar ou não inglês? Mas pense bem solitário leitor desse muquifo, o que nos acomete hoje é uma homogeneização de língua e, de certa forma, costumes, certo? Mas isso não estaria acontecendo por uma imposição de uma parte da população que criou as regras do desenvolvimento e nos deixou sem muita opção, ou por uma vontade coletiva? Penso naquele velho do sertão que masca seu fumo às cinco da tarde jogando conversa fora até o candeeiro se apagar e um belo dia a Evolução bate à sua porta e diz: oi! Somos um futuro promissor e garantido, mas para isso o senhor terá de adotar alguns novos costumes porque os seus já estam ultrapassados. E o velho, em sua ingenuidade, baterá a porta na cara da Evolução e dirá: mas será o meu padin ciço que esse povo num sabe que tenho de durmi e acordá cedo pra quermesse de amanhã!. Estará ele errado?

A perda de identidade de um povo acontece porque todos os indivíduos, individualmente falando, já perderam suas identidades (ou ao menos parte dela). E como boa parte das nossas atividades de aprendizagem só acontece quando exercitamos setores diferentes do raciocínio, ao começar a falar e/ou agir apenas como uma determinada forma, já é um começo para a padronização sim do pensamento. Basta observar os nossos costumes que nasceram apenas da repetição. Colocamos tudo no automático e se não nos dói nem percebemos o que está acontece. Um exemplo (não muito bom, eu sei, mas o único que me ocorre agora) é o perfil de consumo de vários países, incluindo o Brasil. Uma herança vinda sabe-se lá de onde e sabe-se lá de quando, mas com certeza não veio de Itapapoca da Serra.

Parece coisa de arcáico, mas esse meu apego (moderado, vá!) - não só à língua mas aos costumes - é porque nem quero cogitar que um seremos uma grande massa que nem sabe o que é bolo de coco de festa de igreja, nunca viu um baiano falar não se avexe e que chama merda de shit.

Leave a Reply