Archive for March, 2005

Tuesday, March 29th, 2005

Sempre foram dois caminhos, o aceitar ou não, o dormir ou penar noite a fora, o decidir encarar ou o fingir que ali no canto a oportunidade não te acena com seu par de olhos azuis. Não adianta mudar o caminho, na esquina ele te agarra e tira as suas mãos dos olhos e abre suas pálpebras e te exige atenção. Você finge ir pra casa sozinha, você finge que os lençois azuis te deixam feliz, você finge que a sua janela é aberta apenas para os seus olhos, você finge que os livros do lado da cama te preenchem a noite, você finge que fantasias satisfazem o (a) sua (eu) libido. Você escolhe se se atrasa porque o cachorro fez cocô no chão que você pisou ou que o despertador não avisou sobre as pilhas fracas. Ou você vai na hora certa e ao subir as escadas seu salto quebra. Você escolhe enrolar uma conversa qualquer, beijar uma boca qualquer, falar uma merda qualquer, assistir uma coisa qualquer, dormir num tempo qualquer. Você deseja não ter vínculos com passado ou futuro, muito menos com o presente. Seu presente é a passagem cronológica de vida de sua vida e você ali parada assistindo à tudo sem mover uma palha. Ou você veste uma roupa de cor berrante e muda de atitude e vai pela rua de cima achando que ele não tá lá, que ele não faz falta, que ele não vale à pena, que o telefone que não toca é ansiedade em estado bruto. Você chora até que teus olhos cuspam poeira, você dói até que teu coração pare por uma hora, você se contorce tanto que teus braços façam 3 voltas no seu corpo e quando você não aguenta mais faz as malas e muda de estado.

Monday, March 28th, 2005

“Para continuar recebendo essa mensagem de paz, fé e esperança basta responder este email. Caso não queria conhecer Jesus e Sua verdade através da Bíblia sagrada basta desconsiderar esse email.”

E se minha conexão cair na hora em que for responder e eu perder o endereço pra resposta? Puxa, vocês não pensam nos pobres coitados desprovidos de ADSL?

Tuesday, March 22nd, 2005

Apesar de ver que isso ai embaixo merece um desenvolvimento em certas partes, postergarei. Não sei quanto à vocês, mas para mim é impossível fazer dieta e parar de roer unha, ainda mais que eu não fumo e nem pratico boxe para descarregar as minhas tensões. O meu minúsculo espaço intelectual também anda flácido: semana passada consegui esfoliar a pele mais do que estudar (2 contra 1) e o 1984 empoeira na estante sem a carícia dos meus olhos e eu tenho a descaração de não sentir culpa alguma. Já percebi que possuo um desestímulo intelectual grande, falta-me coragem, cobrança correta e principalmente falta-me sentar a bunda na cadeira e encarar os fatos. Já contei que vamos pra Bahia no fim do ano? Já contei que tenho almejado aquela areia branca, aquele vento na cara, aquela pele descascada? Como posso me concentrar nos estudos pensando nas férias? Como posso trabalhar direito diante de um homem que parece usar rímel e 3 quilos de gel para segurar o topetão? Como não mandar tudo pro espaço diante do pastel de banana? Onde eu estava que não havia descoberto o óleo de cravo? Por que moro perto da linha de um trem que só me deixa dormir direito das 0:00 às 6:00? Por que não posso ter um filho mês que vem? Por que não publico uma foto das minhas unhas? Por que a cada dia não me mandam uma revista nova? Por que não posso falar caralho no meu ambiente de trabalho? Por que as pessoas estranham a minha boca suja? E por que elas pensam que mesmo assim sei ser delicada? Por que não posso ser inteligente e achar que Victor Hugo é uma marca? Por que minha bunda tem uma queimadura de ferro? Por que entre 100 pipocas uma tem um caroço? Por que as lojas não possuem blusas tamanho GG, só que maiores um pouco? Por que os picolés não custam mais R$ 0,20? Por que não existe biscoito recheado salgado? Por que a Mônica não brinca de médico com o Cebolinha?

Monday, March 21st, 2005

Enquanto se lava a louça os melhores pensamentos te sorteiam.

Discussão que aconteceu tempos atrás e que voltou num pequeno flash na última sexta feira. Qual a importância da língua para a identidade de um povo? O que fiquei pensando agora à pouco é que, ao menos com as duas pessoas com que discuti sobre isso um impasse pareceu decisivo para a definição das opiniões: ao contrário de mim, eles não parecem tão preocupados com uma identidade coletiva. Não sei ao certo se é isso, mas foi a única conclusão que me veio à cabeça. Note que esse respeito pelas identidades e que me parece simpático é bem diferente de esbravejar que os americanos têm é de se F. ou deixar escorrer uma lágrimas com essas campanhas fantasiosas do governo federal sobre o povo brasileiro.

A minha opinião é de que a identidade de um povo é importante, não mais que desenvolvimento coletivo, que o respeito entre os diferentes povos, cada um em seu tempo. Esse pensamento se intensificou mais ainda pelo motivo da conversa: falar ou não inglês? Mas pense bem solitário leitor desse muquifo, o que nos acomete hoje é uma homogeneização de língua e, de certa forma, costumes, certo? Mas isso não estaria acontecendo por uma imposição de uma parte da população que criou as regras do desenvolvimento e nos deixou sem muita opção, ou por uma vontade coletiva? Penso naquele velho do sertão que masca seu fumo às cinco da tarde jogando conversa fora até o candeeiro se apagar e um belo dia a Evolução bate à sua porta e diz: oi! Somos um futuro promissor e garantido, mas para isso o senhor terá de adotar alguns novos costumes porque os seus já estam ultrapassados. E o velho, em sua ingenuidade, baterá a porta na cara da Evolução e dirá: mas será o meu padin ciço que esse povo num sabe que tenho de durmi e acordá cedo pra quermesse de amanhã!. Estará ele errado?

A perda de identidade de um povo acontece porque todos os indivíduos, individualmente falando, já perderam suas identidades (ou ao menos parte dela). E como boa parte das nossas atividades de aprendizagem só acontece quando exercitamos setores diferentes do raciocínio, ao começar a falar e/ou agir apenas como uma determinada forma, já é um começo para a padronização sim do pensamento. Basta observar os nossos costumes que nasceram apenas da repetição. Colocamos tudo no automático e se não nos dói nem percebemos o que está acontece. Um exemplo (não muito bom, eu sei, mas o único que me ocorre agora) é o perfil de consumo de vários países, incluindo o Brasil. Uma herança vinda sabe-se lá de onde e sabe-se lá de quando, mas com certeza não veio de Itapapoca da Serra.

Parece coisa de arcáico, mas esse meu apego (moderado, vá!) - não só à língua mas aos costumes - é porque nem quero cogitar que um seremos uma grande massa que nem sabe o que é bolo de coco de festa de igreja, nunca viu um baiano falar não se avexe e que chama merda de shit.

Thursday, March 17th, 2005

Já estava deitada na cama ainda desarrumada quando resolvi abrir o editor e brincar um pouco de colocar letra após letra como pretexto apenas para que o blogger não expire a minha inscrição. De que adianta escrever, estabelecer, visualizar se deixo para trás várias coisas pendentes? Saio de casa, atravesso os trilhos e através das lentes escuros vejo sempre as mesmas pessoas indo para os mesmos trabalhos dentro dos mesmos ônibus. Chego, subo as escadas, troco as lentes pelas transparentes e logo naquele micro que, pelas próximas 8 horas será minha vida. Atualizo coisas alheias, relatórios impressos e entregues, bate a vontade de sair um pouco, fugir daqueles seis metros quadrados, mas pelos meios que tenho no momento ninguém me responde, ninguém me deixa falar, ninguém me ouve. Leio uns emails idiotas, se não é mala direta, são os textos que o Veríssimo nem sabe que escreveu, tento saber sobre o mundo e quando não é guerra aqui é um famoso expulso de uma festa lá. Todo mundo cansa de si, todo mundo sente vontade de mudar de roupa, de pele, de voz, de olhos. Todo mundo deve se sentir de vez em quando meio idiota, meio tonto, meio desligado. Todo mundo deve se sentir que as melhores conversas, os melhores convites, as melhores visões do dia parece não ter sido para você. Todo mundo deve ter vontade de imprimir um cartão bem grande, em arial black escrito FORDA-SE só para ler nas horas de crises e aquietar um pouco os brios. Me arrasto de volta para casa, quando vejo já é tarde, quando vejo já tenho sono, quando vejo nem cozinhei, quando vejo nem conversei, quando vejo o tempo passou e eu fiquei de lado mais um dia.

Monday, March 7th, 2005

Eu prometo lavar as calcinhas logo depois do uso, procurar uns becos no caminho do trabalho, não fazer do pão de batata meu amante na hora da carência e não achar que torta de maracujá é o ápice do desejo degustativo.

Eu prometo gastar menos que ganho e comprar, quem sabe, até o meio do ano, umas 3 camisetas, um par de tênis, e o tocador de mp3.

Não me desesperei pelos shows que nunca irei ou pelos lugares que, só Deus sabe, conhecerei. Mas pra Paris um dia viajarei. E pouca roupa levarei e muito frio passarei.

Escovarei os dentes todas as noites, ouvirei Intergalact Radio Station no meu fone e saberei qual a origem do Batman.

Tirarei umas fotografias, rirei de umas pornografias, pensarei mais tarde em monografias.

Eu prometo procurar umas rimas mesmo que seja com minhas primas sentadas no morro chupando limas.

E para você que não ficou satisfeito, dê a volta com o pé direito que eu vou ali estourar meu plástico bolha.

E se o povo fosse Deus eu não aguentaria tanto panteísmo.

Tiago, devo o filme

Claúdio, devo o texto.

Rufus e Neo, já passo para tomar um cafezinho.