Não tem preço: ato único
August 28th, 2008Chegar no caixa do Mercadorama com as compras do mês e descobrir que eles não refrigeram os alimentos que precisam ser refrigerados até o momento da entrega: meu horário de almoço inteiro.
Chegar no caixa do Mercadorama com as compras do mês e descobrir que eles não refrigeram os alimentos que precisam ser refrigerados até o momento da entrega: meu horário de almoço inteiro.
Estávamos eu, o Seal, a Heidi Klum e todos os 547 filhos deles. E o Seal perguntou-me “Do you know me?” E eu respondi. “No, I don´t attend TV”. E ele ficou muito puto.
———
As melhores coisas do mundo são: microondas, refrigerador frost free e entrega grátis.
Ontem, vendo fotos antigas, lembrei dos meus ex alunos. Dei aula de informática por cerca de 3 anos e, mesmo com todo o cansaço e a pindura da época, foi uma das fases mais felizes da minha vida.
Tive duas turmas preferidíssimas: uma delas formada por pré adolescentes e outra que mesclava pré adolescente e adolescentes. Eu amava aquelas pestes e, sem modéstia nenhuma, era fortemente amada também e vejo que esse amor se devia ao respeito que eu tinha (e que hoje tenho mais ainda) pela inteligência de uma criança.
Tá a fim de aprender calc não? Belê, vamo navegar na internet por meia hora e depois a gente tenta aprender, pode ser? E ia, e eles aprendiam, e a gente brincava de fazer gráficos que não diziam nada mas os olhinhos brilhavam com cada lógica desvendada. “Profe! agora entendo aqueles desenhos que aparecem na TV em época de eleição”.
Minha cabeça doía, eu estava cansada e eles também. Dá-lhe contar das histórias da escola, de casa, de “como que é a Bahia?”. Duas horas de terapia de grupo com aqueles pentelhos.
Cronograma em dia, a próxima semana você traz negrinho, eu trago sanduíche e fulano o refri para o lanche na sala. “Mas não pode, pessoal” dizia eu. “Ah, profe se te perguntarem lá fora pode dizer que a gente te bateu”. O cronograma tava em dia então não ia ser eu quem iria estragar a confiança e cumplicidade.
Bento Gonçalves tem disso. Tem família que vem na escola de informática saber como está o filho e conhecer “a professora que eles vivem falando em casa”. E me convidavam para visitá-los. E quando não ia poderia apostar que o recado vinha questionando minha ausência.
E acabava o curso e tinha chororô. E na última aula eu enrolava para dispensar a turma e atrasava tudo. E eles não queriam sair da sala onde o meu coração pequenininho queria mas não podia dizer (porque para o chefe só interessava a rematrícula e a mensalidade paga), que para eles eu dava aula até de graça.
ô meu fio, faz isso não. Cê tem uma filha de um ano e pouquinho pra mostrar o mundo, vai fazer compra no Extra e faz essa merda? E tua mulher te acompanha abrindo um Fandangos e enfiando na guela da menina, negão? Faz isso não. Paga depois come. É feio. Se o segurança não pega, outras pessoas verão ou, em última caso, Deus castiga.
Mas tomar iogurte e cervejinha e deixar os vasilhames vazios nas prateleiras e sair como quem não fez nada? Faz isso não. Depois reclama que político não presta, “onde vamos parar?” ou “morro e não vejo tudo”.
Certas coisas são indiscutivelmente erradas na minha opinião, uma delas é comer antes de passar pelo caixa do supermercado. É nojento e uma das maiores demonstrações de falta de educação que há, mesmo que você pague pelo produto depois. Se tá vendo que vai MORRER SE NÃO BEBER A LATINHA SKOL compre, sente, beba e depois volte para o mercado, seu monturo.
Minha amiga: nunca havia depilado a axila com cera, daí liguei para um salão e perguntei quanto custava depilar. A mulher disse “5 reais” e eu perguntei se era por cada.
Eu: e eu que nunca havia depilado as pernas num salão e achei que o “meia perna” seria só a parte da frente. Imagina minha felicidade quando ela disse “pode virar”.
De: Eu
Para: David Gilmour
Lindinho
estava vendo pela milésima vez o Pulse e lembrei que o passado é o tempo em que a gente faz o que não deve. Em 94 o que você pedisse eu te daria, mesmo depois de descobrir que a guitarra servia também para esconder sua barriguinha. Mas ano passado eu te vi, nêgo. E broxei. Por isso o tempo do verbo “dar” na frase anterior. Um beijo e me liga
Eu fico muito puta da cara com a imprensa noticiando de forma exclusivamente sensacionalista a história da mãe de Curitiba que atirou sua filha pela janela.
Deve dar muito mais ibope apelar para “aquela criminosa que tirou a vida de uma inocente indefesa” do que aproveitar para discutir sobre distúrbios psicológicos que atacam as pessoas. É tão difícil assim considerar que TALVEZ ela não seja uma criminosa e sim uma pessoa DOENTE? Mas não dá ibope lembrar que pais não deixam de ser humanos depois que parem.
Não consigo explicar para o povo daqui o que é um jenipapo.
Pior ainda quando pedem para que explique o que é tapioca.
Tapioca, para mim, é uma farinha grossa e de formato irregular derivada do amido e preparada de forma artesanal (tapioca industrializada non eziste no meu mundo) usada para fazer bolos, pudins, cuscuz ou apenas torrada no forno com um tico de açúcar e coco (fresco, por favor) ralado.
Fica um cheirinho pela casa que só cheirando.
O que chamam de tapioca eu chamo de beijú. Beijú úmido (hidratado com leite de coco, adoçado e povoado de coco fresco ralado) ou seco (só o amido mesmo levemente umedecido que assa até ficar levemente tortado para ser tomado com cafezin pretin).
Assim como existe o caminho da uva, acho que farei o caminho da mandioca.
A onda do momento é explicar o que é jenipapo, já que vivo espalhando por aí que licor de jenipapo é uma coisa deliciosa.
Não sei, minha gente, não sei mesmo descrever um jenipapo mais do que “uma fruta de carne rígida e perfumada”. Sorry
Existem pessoas que me fazem feliz apenas porque existem.
Muitas vezes não as conheço profundamente, nem as encontro frequentemente, nem compartilhamos segredos. Não conheço suas famílias, nem quanto ganham, nem o que temem.
Muitas vezes só as encontro de passagem, ou uma vez na semana, ou uma vez a cada 6 meses. Nem sempre falamos de coisas inteligentes, nem tenho seus telefones.
Mas elas existem naquele tipo de hora de dar bom dia, ou para fazer o café caprichado, ou pra falar do tempo, ou pra contar uma piada sem graça, lamentar uma perda, ou para cozinhar para mim, ou para comer minha comida, ou para atender bem meu telefonema, ou para vir na minha casa ou para compartilhar a carona, ou para demonstrar confiança, elas fazem de mim uma pessoa mais feliz.
Elas não reclamam se eu sumo de suas casas, de suas vidas. Eu volto e parece que sempre estive ali. Elas não se sentem obrigadas a elogiar qualidades minhas (talvez seja porque não enxergam tantas e / ou acham isso irrelevante. O que mais admiro é que elas também não me obrigam a). Às vezes contam seus segredos, dizem o que farão no fim de semana, não brigam quando digo um não. Não se envergonham em pedir desculpas, não cobram fidelidade mas mesmo assim é impossível que eu não me torne cúmplice de todas elas e saiba pelo menos 2 coisinhas de que elas gostam só para fazer um agrado de vez em quando.
Cada um passa o natal e ano novo com os seus e depois contam como foi (bom ou ruim) mas não estragam tudo dizendo que sentiu muitas saudades. Na realidade acho que elas (e eu) sentimos sim muitas saudades, mas não a ponto disso doer ou matar ou morrer ou cobrar.
Elas existem e sou muito feliz por isso, mesmo que elas não façam nem idéia desse meu sentimento.